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Minas Gerais reage ao greening e cria cinturão inédito para proteger citricultura


Foto: Pixabay

Minas Gerais deu um passo estratégico para conter o avanço do greening, a doença mais devastadora da citricultura mundial. Produtores do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e noroeste do estado lançaram o projeto Cinturão Antigreening, uma iniciativa coordenada pelo Sistema Faemg Senar em parceria com sindicatos rurais.

A proposta é ambiciosa: proteger uma área superior a 150 mil km², incluindo o principal polo citrícola do estado. Só o Triângulo Mineiro concentra cerca de 50% da produção estadual de citros.

Barreira sanitária para conter avanço da doença

O objetivo central é reduzir o risco de disseminação do greening, preservar os pomares e garantir segurança para investimentos no setor.

A estratégia envolve ações diretas no campo, como:

  • eliminação de plantas hospedeiras do inseto transmissor
  • monitoramento constante das lavouras
  • resposta rápida a possíveis focos da doença

Segundo Osny Zago, presidente do Núcleo dos Sindicatos dos Produtores Rurais do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a iniciativa funciona como uma barreira sanitária.

“Esse cinturão vai proteger uma grande área produtiva e trazer mais segurança para os investimentos”, afirma.

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Leis já começam a mudar o cenário

Alguns municípios já saíram na frente. Araxá, Sacramento e Ibiá aprovaram legislações que proíbem o plantio da murta, planta que favorece a proliferação do psilídeo — inseto responsável por transmitir a doença.

A expectativa é ampliar a medida para outras cidades e consolidar Minas como referência nacional em prevenção ao greening.

“É uma legislação simples, mas com grande impacto para o setor”, destaca Osmar Gonçalves, presidente do Sindicato Rural de Araxá.

Produção cresce e exige resposta rápida

Minas Gerais ocupa hoje a segunda posição nacional na produção de laranja, limão e tangerina, segundo o IBGE. Além disso, a área cultivada cresceu cerca de 6% nos últimos cinco anos.

Esse avanço aumenta a necessidade de proteção sanitária. O greening já causou perdas severas em regiões como São Paulo, Bahia e Sergipe — além da Flórida, nos Estados Unidos, referência global na produção de suco.

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Produtores seguem investindo, mesmo com risco

Mesmo diante da ameaça, o setor segue em expansão. O produtor Franco Cruz Carvalho, por exemplo, implantou 250 hectares de laranja em Ibiá.

Ele aposta no potencial da região e vê o cinturão como decisivo para evitar prejuízos futuros.

“A iniciativa é fundamental para levar informação e evitar que enfrentemos os mesmos problemas de outras regiões”, afirma.

A expectativa é alcançar produtividade de até 1.200 caixas por hectare a partir do próximo ciclo.

Doença sem cura exige prevenção total

O greening. ta,b[ém chamao de huanglongbing (HLB), é causado por uma bactéria transmitida pelo psilídeo (Diaphorina citri), um inseto altamente móvel, capaz de se deslocar por longas distâncias.

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O maior desafio é que não existe cura para plantas infectadas. Por isso, a prevenção se torna a principal estratégia.

Dados do Fundecitrus mostram que, em 2025, houve aumento de 7,4% na incidência da doença na região que inclui São Paulo e parte de Minas.

Apesar disso, o Triângulo Mineiro ainda apresenta níveis mais baixos — o que reforça a importância de agir antes da escalada.

Impacto global acende alerta

A dimensão do problema já foi comprovada em outros países. Na Flórida, o greening gera prejuízos estimados em US$ 1 bilhão por ano, além de reduzir a produtividade em até 30%.

Segundo Mariana Marotta, analista do Sistema Faemg Senar, o tema é estratégico para o Brasil.

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“Três de cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo são produzidos no país. O desafio sanitário é enorme”, destaca.

Com o cinturão antigreening, Minas tenta antecipar o problema — e proteger não apenas a produção, mas toda a cadeia econômica da citricultura.

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agro.mt

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