A safra brasileira de soja 2025/26 alcançou 184,7 milhões de toneladas, consolidando mais um ciclo recorde no campo, segundo levantamento da Agroconsult. O resultado reflete principalmente a expansão da área plantada e a melhora na produtividade em importantes estados produtores.
De acordo com o coordenador técnico do Rally da Safra, Valmir Assarice, o crescimento da produção pode ser explicado por dois fatores centrais. “A gente pode dividir em dois fatores principais: o aumento da área e a melhora da produtividade”, afirmou. O primeiro é o aumento da área cultivada, que chegou a 49,1 milhões de hectares, avanço de cerca de 1 milhão de hectares em relação à safra anterior. “A área cresceu mais um ano”, destacou. Esse incremento, por si só, contribuiu com aproximadamente 3,5 milhões de toneladas adicionais.
O segundo fator foi o ganho de produtividade, mesmo sem recordes generalizados em todos os estados. Regiões como Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul apresentaram recuperação em relação ao ciclo passado, somando cerca de 6,5 milhões de toneladas a mais no comparativo anual. “Não que a produtividade seja recorde em todos os estados, mas há uma melhora significativa”, explica. Ainda assim, o estado gaúcho segue enfrentando dificuldades climáticas recorrentes, com mais uma quebra de safra, embora menor que em anos anteriores.
Segundo Assarice, a safra foi marcada por forte irregularidade climática. “O clima dificilmente é perfeito em todas as regiões”, ressaltou. O início do plantio, entre setembro e outubro, teve chuvas abaixo do esperado na região central do Brasil. Já em dezembro, houve maior uniformidade nas condições climáticas, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. “Dezembro foi o mês mais uniforme entre os estados”, pontuou.
A partir de janeiro, no entanto, o cenário mudou. O excesso de chuvas no Centro-Oeste contrastou com períodos de estiagem no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, impactando negativamente o potencial produtivo da região. “A gente teve excesso de chuva no Centro-Oeste e estiagem no Sul”, disse.
Para a próxima temporada, a atenção do setor já se volta às possíveis mudanças no padrão climático, com a transição para um cenário de El Niño. Esse movimento pode provocar corte antecipado das chuvas, afetando principalmente a segunda safra de milho, além de trazer riscos para culturas como o trigo no Sul do país.
Apesar dos desafios, a expectativa é de que haja regularidade climática no início do próximo plantio da soja, evitando atrasos e garantindo melhores condições para o desenvolvimento da safra 2026/27.
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