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E se a madeira durasse muito mais? Cientistas brasileiros já estão trabalhando nisso


Foto: Freepik

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) vem ampliando as pesquisas sobre modificação da madeira com foco em aumentar a resistência do material à biodeterioração, um dos principais desafios para o uso mais amplo da madeira na construção civil e na indústria.

Vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais (PPGCFL), no campus de Alegre, no sul capixaba, o grupo de pesquisa Modificação da Madeira concentra os estudos em espécies de grande relevância econômica, como o eucalipto, além de madeiras tropicais da Amazônia brasileira.

O principal alvo das investigações tem sido a madeira de eucalipto, oriunda de plantios de rápido crescimento e rotações curtas, característica que amplia seu potencial de uso em escala. O grupo também pesquisa a madeira de tauari, espécie amazônica indicada para pisos, móveis, portas e painéis, mas que ainda ocupa espaço reduzido no mercado nacional.

A proposta é gerar conhecimento científico sobre matérias-primas brasileiras e ampliar as possibilidades de aplicação de madeiras com maior valor agregado.

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Novas frentes de pesquisa com madeira

A modificação da madeira, subárea da proteção da madeira, já é amplamente desenvolvida em termos científicos e industriais em países da Europa, mas ainda avança de forma mais tímida no Brasil. Nesse cenário, o trabalho desenvolvido pela Ufes busca fortalecer a produção de conhecimento técnico, orientar o setor produtivo e estimular novas frentes de pesquisa sobre um tema estratégico para a indústria florestal e para a construção civil.

As pesquisas conduzidas pelo grupo contam com uma rede de cooperação formada por
universidades e instituições do Brasil e do exterior. No país, estão entre as parceiras instituições como as universidades federais do Paraná, Lavras (MG), Mato Grosso, do Oeste do Pará e Rural do Rio de Janeiro, além do Laboratório de Produtos Florestais do Serviço Florestal Brasileiro e da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).

No cenário internacional, a articulação inclui universidades da Alemanha e da Espanha, além de um centro francês de pesquisa agrícola, o que reforça o alcance técnico e científico das investigações.

Uma das frentes de estudo envolve a modificação térmica da madeira de Eucalyptus
grandis
em sistemas fechado e aberto. A linha de pesquisa busca compreender como diferentes condições de tratamento influenciam a composição química do material, sua resistência a fungos apodrecedores e sua capacidade de absorver umidade do ambiente.

A proposta é avaliar alternativas que aumentem a durabilidade da madeira sem recorrer ao uso de produtos tóxicos, o que amplia o interesse da técnica do ponto de vista ambiental e industrial.

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Esse tipo de tecnologia pode contribuir para prolongar a vida útil da madeira, reduzir perdas por descarte precoce e tornar mais eficiente o aproveitamento de recursos florestais plantados. Ao mesmo tempo, os resultados ajudam a agregar valor ao eucalipto, hoje a principal essência florestal cultivada no Brasil, abrindo caminho para aplicações em produtos mais sofisticados e de maior retorno econômico.

Outra linha de investigação analisa a proteção da madeira contra fungos, cupins e problemas associados à umidade, com potencial de aplicação direta na construção civil. As pesquisas mostram que ampliar a durabilidade da madeira também pode reduzir custos com falhas, retrabalho e soluções corretivas, além de oferecer ao setor ferramentas mais precisas para tomada de decisão técnica.

Em um país onde a adoção da madeira na construção civil ainda encontra barreiras relacionadas à manutenção e à percepção de risco, esse avanço científico ganha relevância ainda maior.

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