O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou nesta terça-feira (17) que o governo brasileiro irá negociar os requisitos de inspeção e segurança da soja destinada à China, após reclamações de autoridades e compradores do país asiático.
Segundo informações da Reuters, Fávaro negou que o Brasil tenha flexibilizado as regras de inspeção nos últimos dias. Ele rebateu reportagens que apontavam mudanças para facilitar as exportações.
O ministro confirmou que o país recebeu notificações após a identificação de sementes de plantas daninhas em algumas cargas. Diante disso, as inspeções foram, inclusive, intensificadas.
“Não houve qualquer alteração nas regras. Temos obrigação legal de inspecionar”, afirmou Fávaro.
Ele acrescentou que embarcações com inspeções pendentes só receberão certificação se atenderem aos padrões exigidos pela China, maior importadora mundial de soja. “Se tivesse havido flexibilização, os navios já estariam navegando”, disse.
Fávaro informou que o Brasil enviará dois representantes do ministério à China na próxima semana: Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais, e Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária.
A missão terá como objetivo propor um novo protocolo sanitário que atenda às exigências chinesas, preserve a capacidade operacional da indústria brasileira e reduza riscos.
O ministro ressaltou que a situação não configura embargo. “Se a China quisesse suspender as compras, já teria suspendido. Não é esse o caso”, afirmou.
Na semana passada, a Reuters informou que o Ministério da Agricultura intensificou a fiscalização após recorrentes apontamentos de resíduos de pesticidas e fungicidas em cargas brasileiras.
Segundo tradings, o aumento do rigor tem desacelerado os embarques em pleno pico da safra de exportação, elevando custos logísticos.
A demora na emissão de certificados tem mantido navios parados nos portos por mais tempo, gerando despesas adicionais, como multas. A Cargill chegou a suspender temporariamente os embarques de soja do Brasil para a China na semana passada.
Apesar disso, o cronograma de exportações segue relativamente estável. De acordo com a Anec, os embarques de março estão estimados em 16,32 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da previsão anterior, de 16,47 milhões.
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