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Como práticas conservacionistas transformam lavouras e podem dobrar a produtividade da soja?


Reprodução Canal Rural

Em Santa Catarina, produtores de soja têm mostrado que é possível unir produtividade e cuidado com o meio ambiente. No oeste do estado, um grupo de agricultores aposta há quase 30 anos em práticas conservacionistas de manejo do solo, e os resultados já aparecem nas lavouras.

A Expedição Soja Brasil chegou a Chapecó, no extremo oeste catarinense, onde a soja vem ganhando cada vez mais espaço. A região, conhecida pela forte produção de proteínas animais, demanda grandes volumes da oleaginosa para a fabricação de ração.

Entre os produtores está o agricultor Francisco Sedovski, que cultiva cerca de 50 hectares e sempre manteve um olhar atento à qualidade do solo. Ele lembra que o início da adoção das práticas foi desafiador. “Começamos devagar, com bastante dificuldade. Regular a plantadeira, fazer a semeadura dos mixes e até conseguir as sementes era complicado. No começo não vamos dizer que perdemos safras, mas colhemos menos porque ainda não sabíamos o manejo correto”, relata.

Junto com outros 14 produtores, ele criou o grupo Amigos do Solo. Após visitas técnicas em outros estados, os agricultores trouxeram para a região o sistema de plantio direto, que com o tempo se expandiu entre as propriedades.

Os ganhos foram expressivos ao longo dos anos. “Na época em que começamos, a produtividade ficava na faixa de 30 a 50 sacas por hectare. Hoje já dobramos esse número. Temos áreas com 75, 80 e até mais de 90 sacas por hectare por causa do manejo e da cobertura do solo feita há 30 anos”, afirma.

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O trabalho do grupo vai além do plantio direto. Os produtores também investem em coberturas verdes no inverno e adotam o chamado plantio direto no verde, prática que mantém o solo protegido e melhora sua estrutura.

Para especialistas, esse tipo de manejo é essencial para aumentar a resiliência das lavouras. “Muitas vezes é preciso fazer o básico, como melhorar a qualidade do solo, que é o substrato onde a planta vai se desenvolver. Quando se prioriza o manejo e a saúde do solo, ele se torna mais resiliente às intempéries climáticas e a safra tende a oscilar menos de um ano para outro”, explica o especialista em solo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina, Júlio Ramos.

Depois de décadas cuidando da terra, o desafio agora é transmitir esse conhecimento para as próximas gerações no campo. “Hoje a sucessão tem um olhar diferente. O sucessor muitas vezes pensa mais no curto prazo. Mas estamos trabalhando para mostrar que esse cuidado com o solo precisa continuar”, diz Sedovski.

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