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Aprosoja MT alerta para cenário estrangulado: estado só tem como guardar 50% da safra


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso deve produzir entre soja e milho pouco mais de 103,131 milhões de toneladas na safra 2025/26. Contudo, o estado possui capacidade de armazenagem para aproximadamente 50% disso, descompasso que tem afetado a rentabilidade do produtor, a comercialização e ampliado os custos operacionais, além de comprometer a segurança alimentar.

A perspectiva de produção para o ciclo 2025/26 é 3% inferior às 106,326 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior. Somente em soja, conforme revisão de estimativa de safra divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) na última segunda-feira (2), devem ser colhidas pouco mais de 51,412 milhões de toneladas. Já em relação ao milho segunda safra, as projeções foram mantidas em 51,719 milhões de toneladas.

“Nos últimos anos, o déficit de armazenagem tem se acentuado no estado. Atualmente, aproximadamente 50% da produção consegue ser armazenada, o restante precisa ser escoado rapidamente durante o período de safra, por falta de estrutura adequada”, diz o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber.

Até janeiro, o estado havia comercializado 49,49% da soja 2025/26, apontou o último relatório do Imea. Quanto ao milho apenas 32% estava negociado antecipadamente.

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Juros altos dificultam acesso ao crédito

Conforme Beber, os juros elevados têm dificultado o acesso dos produtores ao crédito, limitando ainda mais a construção de estruturas de armazenagem em Mato Grosso, principalmente dentro das propriedades rurais, e assim reduzir esse déficit.

“Os mercados importadores conhecem esse gargalo logístico no Brasil, especialmente em Mato Grosso, e acabam se aproveitando dessa situação. A necessidade de escoamento rápido pressiona os produtores a venderem em um curto espaço de tempo, o que favorece a redução dos preços e impacta diretamente a renda no campo”, ressalta o presidente da Aprosoja MT.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Dados recentes divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), como destacado anteriormente pelo Canal Rural Mato Grosso, apontam que a produção brasileira de grãos cresce cerca de 10 milhões de toneladas ao ano, sendo necessários R$ 15 bilhões em investimentos em armazenagem anualmente para manter tal ritmo. Hoje no país, entre 14% e 16% da capacidade estática de armazenamento de grãos se encontra nas fazendas.

De acordo com o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, o cenário estrangulado na armazenagem no estado se intensifica ainda mais nas regiões de expansão agrícola mais recente, como é o caso do Vale do Araguaia.

“Todo estado do Mato Grosso, de maneira geral, é afetado com a falta de armazenagem. O produtor sofre com filas, com a dificuldade de entregar o seu produto”. Bier ressalta ainda que a situação se agrava ainda mais durante o período mais chuvoso. “Existem algumas linhas de crédito, como o FCO Armazenagem, também como o PCA, que estão disponíveis para o produtor. Porém, constantemente a gente vê falta de recursos nessas linhas”, completa.

Produtor em Água Boa, na região do Vale do Araguaia, Vinicius Baldo relata que a limitação de crédito e juros altos de fato são os pontos que mais pesam na hora de investir. “A gente tem armazém, mas não é suficiente e a gente já precisou vender antes do momento. Se tivéssemos a capacidade adequada de armazenamento, esse cenário mudaria bastante, pois poderíamos programar melhor as vendas e retirar com mais tempo a soja”.

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Falta energia de qualidade para abastecer armazéns

Outro ponto que limita a construção de armazéns dentro das propriedades, além dos juros altos e falta de crédito, é a questão da energia elétrica. A ausência de uma energia de qualidade para abastecer os armazéns, segundo a Aprosoja MT, eleva ainda mais os custos da porteira para dentro.

“Um armazém precisa funcionar com um gerador de energia e nós temos um problema de custo com o óleo diesel. A energia gerada pelo gerador, acaba sendo uma energia mais cara, que muitas vezes dificulta a viabilidade do armazém. A energia elétrica do Mato Grosso é precária, vários e vários municípios têm energia de má qualidade, e outros municípios sequer têm energia suficiente para ampliação de novos armazéns”, pontua o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier.


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