A volatilidade do dólar e as taxas de juros elevadas têm pressionado as margens do agronegócio brasileiro, exigindo novas estratégias de gestão financeira “porteira afora”. Nesse cenário, o AL5 Amaggi — braço financeiro do grupo Amaggi — acelera sua expansão física pelo país e aposta em títulos indexados à moeda americana para evitar o descasamento de contas que tem levado produtores à crise.
Mesmo após safras desafiadoras, como a 2023/24, a instituição registrou crescimento de 34% no volume de desembolsos, atingindo a marca de R$ 1 bilhão. O plano agora é atingir R$ 10 bilhões em aportes ao setor nos próximos quatro anos, aproveitando o vácuo deixado por instituições que, segundo a empresa, “vieram a passeio” para o setor.
“A gente não queria entrar no segmento para ser mais um ou aproveitar oportunidades. A trajetória da instituição traduz um preparo para ser uma alternativa às instituições tradicionais, entregando soluções de quem conhece o agro em todas as etapas da cadeia”, afirma o CEO do AL5 Amaggi, Rafael Alessi, em entrevista ao programa Estúdio Rural.
Entre as principais ferramentas nessa estratégia está a Cédula de Produto Rural (CPR) dolarizada. O título resolve um problema estrutural: produtores que compram insumos (fertilizantes e defensivos) com preços atrelados ao dólar, mas que, ao tomarem crédito em reais, ficam expostos caso a moeda americana caia na hora da colheita, reduzindo a receita sem baixar a dívida.
Alessi explica que a gestão desse risco passa a ser da instituição, e não do produtor. “As commodities são intrinsecamente dolarizadas. Quando você usa uma estrutura financeira em reais para um custo que é dolarizado frente a uma receita que também é dolarizada, você fica com risco de descasamento”, aponta o executivo.
“Trazemos essa complexidade de fazer a gestão da variação cambial para o nosso lado para entregar a solução de maneira simples para o produtor. É a linguagem que ele já fala no dia a dia”.
Para sustentar o crescimento da carteira, o grupo já opera 16 escritórios de negócios em estados como Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Paraná e Minas Gerais, com planos para o Pará e no entorno de Brasília em 2026. A presença física é considerada um ponto importante, uma vez que “a gente não abre mão do relacionamento”.
“Pessoas no relacionamento e muita tecnologia suportando processos para que a gente possa entregar com agilidade. Por isso a gente abre escritório de negócio, coloca especialistas que vão conversar com esse produtor e entender a situação”, explica Alessi ao Canal Rural Mato Grosso.
Segundo o CEO, a expertise de campo permite identificar quem sofreu impactos climáticos pontuais e quem possui problemas de gestão. “Conseguimos entender qual é aquele produtor que é competente, que produz bem, mas que teve um impacto e precisa de um fôlego. Isso permite que a gente, na nossa visão, consiga operar, aceitar mais riscos, mas de uma maneira mitigada, com bastante responsabilidade com o capital”, diz.
Para baixar o custo do crédito na ponta, o banco também busca captar recursos em mercados com juros menores que o brasileiro. “Almejamos buscar recursos em moeda estrangeira. Temos conversado com bancos e players do Japão e da China para internalizar esses recursos com vantagem”, revela Alessi.
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O post Crédito mais acessível? AL5 Amaggi aposta em expansão no agro apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
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