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Soja brota em lavouras e excesso de chuva coloca parte do milho fora da janela ideal em Mato Grosso


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O excesso de chuvas registrado nos últimos 30 dias em Mato Grosso tem atrasado o fim da colheita da soja no estado e coloca parte do milho segunda safra fora da janela ideal. Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), a situação eleva ainda mais os prejuízos no campo, como é o caso de Marcelândia, onde as estimativas chegam a quase R$ 1,8 mil por hectare.

A colheita da soja no estado alcançou no último dia 20 de fevereiro 65,75% da área cultivada na temporada 2025/26, enquanto a semeadura do milho 66,33%, como destacado anteriormente pelo Canal Rural Mato Grosso.

“A colheita segue em ritmo lento, e a Aprosoja MT continua acompanhando o cenário com grande preocupação. As chuvas estão realmente castigando o produtor mato-grossense”, pontua o vice-presidente Luiz Pedro Bier.

Conforme a entidade, as chuvas intensas elevam os índices de avarias, a umidade e os descontos aplicados na comercialização. Em muitas propriedades já é possível observar sinais de deterioração com soja brotando nas vagens, além de grãos acima do padrão de umidade exigido pelos armazéns.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Região sudeste é a mais atrasada

De acordo com levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), até a última sexta-feira, a região sudeste havia colhido apenas 37,38% da soja cultivada, sendo a mais atrasada com os trabalhos.

De acordo com o Jorge Diego Giacomelli, 2º diretor administrativo da Aprosoja MT, na região Sul do estado, a situação é considerada preocupante. “Nós temos um fevereiro extremamente chuvoso, com mais de 500 milímetros acumulados em várias regiões do estado”. Ele pontua ainda que há relatos no estado de perdas que chegam a 25% nas áreas mais afetadas, especialmente nos últimos talhões a serem colhidos.

Em Rondonópolis a chuva não tem dado trégua desde a madrugada de domingo (22) para segunda-feira (23). Produtor no município, Osvaldo Pasqualotto pontua que a situação “está nos assustando”.

“A gente vinha numa cadência de colheita muito boa até a semana passada. Estamos, praticamente, há uma semana com as máquinas paradas em campo. A gente imagina que vamos ter uma perda de 5% a 10% nas médias [produtividade] devido a essas chuvas prolongadas”, relata Pasqualotto em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

A Defesa Civil de Rondonópolis tem trabalhado em um Plano de Contingência nos últimos dias e reforçado o preparo do município para emergências naturais.

Na região de Itiquira a situação não é diferente, conta Gilmar Mattei à reportagem. “Estamos com essa preocupação, mas ao mesmo tempo a gente tem a questão dos custos. Os custos estão elevados”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Prejuízos ultrapassam R$ 1,8 mil por hectares

No extremo Norte de Mato Grosso, o volume de chuvas é considerado intenso, após um início de plantio considerado lento em decorrência ao déficit hídrico registrado entre setembro e outubro. “Há produtores que colheram 100% da sua área, outros 70% e alguns que só agora estão chegando em torno de 50%, porém todos eles nos relataram que tiveram perdas por avarias e também a alta umidade do grão, devido às fortes chuvas nos últimos 20 dias”, comenta Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja MT e produtor em Marcelândia.

Em Marcelândia, os prejuízos calculados por hectare podem chegar a cerca de R$ 1,8 mil, conforme levantamento realizado pelo Imea e a Secretaria Municipal de Agricultura, considerando perdas por grãos avariados e descontos decorrentes da alta umidade.

Diante da gravidade do cenário e dos prejuízos financeiros, municípios como Marcelândia, Feliz Natal e Matupá decretaram situação de emergência. A medida busca a realização de ações emergenciais para conter os impactos das chuvas sobre a infraestrutura local e o setor produtivo, bem como dar suporte aos produtores e acelerar intervenções nas estradas e pontes afetadas, em um momento em que a prioridade é garantir a retirada da soja do campo.

No município de Paranatinga, no médio-norte, como destacado anteriormente pelo Canal Rural Mato Grosso, também não é descartado o acionamento de um decreto de estado de emergência.

Foto: Imea/Reprodução

Milho fora da janela ideal

Com o atraso na colheita da soja, a semeadura do milho segunda safra segue prejudicada. Conforme o vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, o ideal é cultivar o cereal “até o dia 15 ou 20 de fevereiro”. “Ainda temos muito milho a ser plantado, porque não se consegue colher a soja. Mas a preocupação maior do agricultor é a soja. É ela que paga a conta, é a que dá sustentabilidade ao produtor”.

Produtor na região de Guiratinga, Valdir Martini comenta ao Canal Rural Mato Grosso acreditar que possa haver no estado “uma redução de área, porque não tem como colher. Não tem como escapar disso. O clima é uma incógnita. Está difícil, está muito complicado esse ano”.


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