Uma explosão em um silo de grãos da Coopermota deixou cinco pessoas feridas na manhã do último domingo (22), em Cândido Mota. O acidente ocorreu em uma área subterrânea da estrutura e as causas ainda serão investigadas. Segundo o Corpo de Bombeiros, o impacto foi intenso e pôde ser ouvido em diferentes pontos da cidade.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que um caminhão descarregava grãos quando ocorre a explosão, acompanhada de um barulho muito forte. O teto do silo ficou destruído e parte dos destroços foi lançada sobre a Avenida João Alves dos Santos, nas proximidades do local.
Duas pessoas ficaram gravemente feridas e foram encaminhadas ao Hospital Regional de Assis. Uma mulher sofreu queimaduras entre 70% e 90% do corpo e permanece entubada. Um jovem de 18 anos teve cerca de 40% do corpo atingido por queimaduras. Outras três pessoas sofreram ferimentos leves e foram atendidas no hospital de Cândido Mota. Todos os feridos são funcionários da cooperativa e as identidades não foram divulgadas.
Em nota, a Prefeitura informou que equipes do Corpo de Bombeiros, com apoio de unidades de Assis, ambulâncias municipais e Defesa Civil, foram mobilizadas imediatamente. A cooperativa declarou que presta assistência aos trabalhadores e apura as causas do acidente.
Mas, afinal, o que torna ambientes como esse tão vulneráveis? Para Leandro Ducioni, especialista em Áreas Classificadas da Schmersal, episódios como esse seguem um padrão técnico conhecido. “Primeiramente, é preciso ter o combustível, que é a poeira orgânica fina gerada na manipulação de trigo, soja, arroz, entre outros grãos. Essa poeira é o combustível da explosão. Ela precisa estar suspensa no ar, em forma de nuvem, com presença do oxidante, que é o ar. Quando está em ambiente confinado e encontra uma superfície quente, uma fagulha, um choque elétrico ou qualquer faísca, pode ocorrer a explosão”, explica.
Em correias transportadoras o cenário pode ser ainda mais crítico, devido às fontes de ignição: atrito lateral, motores trabalhando além do limite com aquecimento excessivo e mancais superaquecidos por falta de manutenção ou lubrificação. “O calor emanado desses dispositivos pode ser o ignitor.”
Segundo ele, a prevenção passa por tecnologia e conformidade normativa. “Hoje existem vários sensores e alternativas: sensores para medir temperatura de mancal, sensores de desalinhamento de correia e até sistemas de visão térmica. A ideia é sempre trabalhar na prevenção tanto da fonte de ignição quanto do controle da poeira.” A detecção envolve monitoramento contínuo de aquecimento, desalinhamento e acúmulo de material.
Além disso, é fundamental evitar o acúmulo de poeira por meio de limpeza adequada e supervisão constante, já que camadas depositadas podem formar nuvens explosivas. O período de safra agrava o risco: jornadas prolongadas, operação acima do limite das máquinas, superaquecimento de motores, desgaste excessivo de peças e maior volume de grãos e, consequentemente, mais poeira, elevam a probabilidade de acidentes, especialmente em locais de difícil acesso.
No Brasil, esses ambientes devem seguir normas específicas para atmosferas explosivas, como a série ABNT NBR IEC 60079, incluindo a 60079-10-2, que trata da classificação de áreas. Todos os dispositivos elétricos, eletrônicos e eletromecânicos instalados em áreas classificadas precisam ter certificação conforme exigências do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, respeitando os tipos de proteção previstos em norma.
Além da engenharia, a prevenção depende de capacitação. Para Alex Sandro da Silva, supervisor de Segurança do Trabalho do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, o uso correto de EPIs é essencial. “Os equipamentos variam de acordo com o nível de risco. Para atividades gerais em silos, são indicados capacete com jugular, óculos de proteção, protetores auriculares, luvas, botas com solado antiderrapante e respiradores PFF2 ou PFF3. Em espaços confinados, é obrigatório o uso de cinto tipo paraquedista com talabarte, dispositivos de ancoragem, detectores de gases e até respiradores autônomos”, afirma.
Entre os principais riscos em silos estão o engolfamento (soterramento por grãos), atmosferas tóxicas ou com deficiência de oxigênio, explosões de poeira e quedas de altura, todos exigindo protocolos rigorosos, equipamentos certificados pelo Inmetro e cumprimento das normas NR-31.13 e NR-20.
Ele também ressalta a importância do Sistema de Permissão de Trabalho para entrada em espaços confinados, plano de resgate, tripés com guincho, iluminação anti-explosão, linhas de vida e sinalização adequada. Mesmo com equipamentos disponíveis, o desafio é cultural: muitos trabalhadores resistem ao uso de EPIs por desconforto ou por subestimarem os riscos. Por isso, o Senar aposta em treinamentos práticos, simulações e apresentação de casos reais para fortalecer a cultura de prevenção.
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