Categories: Sustentabilidade

Até quando estender as aplicações na soja? – MAIS SOJA


A intensificação das adversidades climáticas e ambientais, aliada à elevada pressão de pragas, doenças e plantas daninhas, tem tornado o manejo fitossanitário e nutricional da soja cada vez mais complexo, exigindo estratégias técnicas altamente eficientes para a sustentação de elevadas produtividades.

Nesse contexto, destacam-se as aplicações de herbicidas, fungicidas e inseticidas, bem como de fertilizantes foliares e bioestimulantes capazes de mitigar estresses, reduzir a interferência de fatores bióticos e potencializar a formação dos componentes de rendimento da cultura. Contudo, embora muitos desses produtos apresentem benefícios cientificamente comprovados, sua aplicação não garante, por si só, incrementos produtivos.

Além da formulação e da natureza do insumo, a eficácia de produtos foliares, sejam bioestimulantes, fertilizantes ou defensivos agrícolas, está diretamente condicionada ao momento de aplicação e à interação com o estádio fenológico da soja, fatores determinantes para a expressão dos resultados agronômicos.



Dessa forma, até que momento as aplicações podem resultar em benefícios à soja é uma questão recorrente e com impacto direto sobre o custo de produção. Para responder a essa indagação, é fundamental compreender a fenologia da cultura e os limites fisiológicos de resposta da planta.

Advertisement

Conforme a escala fenológica da soja, o estádio R6, denominado “grão cheio”, caracteriza-se pela presença de grãos verdes preenchendo completamente as cavidades dos legumes situados em um dos quatro últimos nós da haste principal, com as folhas ainda totalmente desenvolvidas (Zanon et al., 2018).

Na sequência, o estádio R7 marca o início da maturação fisiológica, fase em que os grãos atingem o máximo acúmulo de matéria seca e a planta praticamente interrompe a absorção de água e nutrientes, logo, não há ligação entre grãos e a planta-mãe. Em termos práticos, o R7 é identificado pela presença de pelo menos um legume com coloração madura na haste principal (Tagliapietra et al., 2022).

Figura 1. Início da maturação. Uma vagem com coloração de madura na haste principal.
Adaptado: Oliveira Junior et al. (2016)

Em termos práticos, embora exista uma ampla gama de produtos passíveis de aplicação foliar na cultura da soja, em diferentes estádios fenológicos e conforme as recomendações dos fabricantes e os objetivos da aplicação, é importante ressaltar que pulverizações realizadas a partir de R7 não promovem incrementos na produção de grãos ou sementes. Isso ocorre porque, nesse estádio, há a interrupção da ligação fisiológica entre a planta-mãe e os grãos/sementes (Zanon et al., 2018). Dessa forma, qualquer produto aplicado após R7 não resultará em efeito produtivo, uma vez que o enchimento e o acúmulo de matéria seca nos grãos já foram finalizados.

Uma exceção importante refere-se à dessecação pré-colheita da soja. Quando realizada de forma criteriosa no subperíodo R7.3, essa prática pode aumentar a uniformidade da lavoura para a colheita, contribuindo indiretamente para a redução de danos mecânicos às sementes e para a manutenção da qualidade fisiológica e sanitária dos grãos, além de possibilitar a antecipação da colheita em até quatro dias (França-Neto et al., 2016).

Ainda assim, de maneira geral, após o estádio R7, a aplicação de defensivos, bioestimulantes e/ou fertilizantes na cultura da soja não resulta em incremento de produtividade, uma vez que o acúmulo de matéria seca nos grãos já foi finalizado.

Referências:

FRANÇA-NETO, J. B. et al. TECNOLOGIA DA PRODUÇÃO DE SEMENTES DE SOJA DE ALTA QUALIDADE. Embrapa, Documentos, n. 380, 2016. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/151223/1/Documentos-380-OL1.pdf >, acesso em: 24/02/2026.

Advertisement

OLIVEIRA JUNIOR, A. et al. ESTÁDIOS FENOLÓGICOS E MARCHA DE ABSORÇÃO DE NUTRIENTES DA SOJA. Fortgreen; Embrapa Soja, 2016. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1047123 >, acesso em: 24/02/2026.

TAGLIAPIETRA, E. L. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 2, 2022.

ZANON, A. J. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 1, 2018.

Advertisement
agro.mt

Recent Posts

Finados nas redes: o luto digital que permanece entre os brasileiros

No Dia de Finados, as redes sociais brasileiras se enchem de fotos antigas, mensagens de…

28 minutos ago

Combate ao excesso de NPK gera R$ 62,47 mi de economia em SC

Há 20 anos, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri)…

14 horas ago

Soja fecha outubro em queda no Brasil; o que esperar do mercado em novembro?

Os preços da soja recuaram nas principais praças brasileiras ao longo de outubro. A movimentação…

14 horas ago

Tião da Zaeli aposta em Coronel Assis para Prefeitura de VG em 2028

Ex-vice-prefeito elogia força eleitoral do parlamentar e afirma que eventual candidatura depende de articulação dentro…

16 horas ago

Trabalhador de 25 anos morre após possível descarga elétrica em Barra do Garças

Jovem foi encontrado caído próximo a uma betoneira e chegou a ser encaminhado à UPA;…

16 horas ago

Boa notícia! Cuiabá registra queda de 85% nos casos de Covid-19 em 2026

Capital teve redução expressiva nas notificações da doença e mantém taxa de mortalidade muito baixa…

17 horas ago