A precariedade da BR-174 tem causado prejuízos diretos aos produtores rurais de Juína, no noroeste de Mato Grosso. Buracos, atoleiros e atrasos no transporte elevam o custo logístico e reduzem o valor pago pela soja, com perdas que chegam a R$ 10 por saca.
Considerada um dos principais corredores de escoamento entre Mato Grosso e Rondônia, a rodovia encurta o caminho até Porto Velho. No trecho entre Juína e Vilhena são cerca de 230 quilômetros que poderiam garantir mais competitividade à produção regional, mas as condições atuais da estrada dificultam o transporte e aumentam os prejuízos.
Produtor rural com área de 1,6 mil hectares de soja, além de milho, pecuária integrada e manejo florestal, Alcides Szulczewski Filho relata que os atrasos no transporte comprometem a qualidade e o volume comercializado.
Segundo ele, a demora faz com que os grãos permaneçam mais tempo armazenados, o que aumenta a umidade e reduz o rendimento. “O caminhão atrasa para ir, atrasa para chegar […] quando você vê é uma porcentagem a mais da nossa produção que vai embora por conta da logística que nós não temos para chegar mais rápido até o destino, e esse aí é o reflexo depois é no bolso”, diz ao Patrulheiro Agro.
O excesso de chuva agrava a situação e aumenta o risco de prejuízos. Alcides conta que os danos aos veículos são frequentes e elevam ainda mais os custos da operação. “Um caminhão meu veio, passou dentro de um buraco cheio d’água, tinha uma pedra de ponta lá e estourou dois pneus. Então você tem lá uma viagem de 30 quilômetros, dois pneus R$ 6 mil, R$ 7 mil”, relata Alcides ao cobrar melhorias na trafegabilidade.
Na região, o produtor Moacir Damiani já enfrenta dificuldades logo no início da colheita. Ele cultivou quatro mil hectares de soja nesta safra e afirma que o principal gargalo está fora da porteira. “Hoje o gargalo nosso de colheita é a parte de logística […] um caminhão para fazer esses 11 quilômetros aqui demora uma hora”.
A situação já causou paralisação na retirada da produção. Moacir conta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que, mesmo com a carga pronta, os caminhões não conseguem cumprir os prazos. “Eu já fiquei com a colheita lá parada por causa de caminhão […] devido à chuva, não roda conforme deveria rodar e aí você já começa perder a soja, começa a dar avaria”.
As condições da rodovia também afetam diretamente os preços pagos aos produtores. De acordo com Renato Tozzo, empresas têm optado por rotas alternativas mais longas para evitar o trecho. O desvio pode acrescentar entre 400 e 500 quilômetros ao percurso, o que reduz a competitividade da região. “Hoje Campo Novo por exemplo está falando de soja de R$ 100, R$ 103 e Juína hoje R$ 92, R$ 93. Essa é a diferença por conta da logística nossa aqui que é péssima”.
Conforme ele, o impacto é direto na rentabilidade. “A gente perde aproximadamente R$ 10 por saca de soja por falta desse acesso da de custo a mais para nós produtores”.
Os problemas na rodovia também afetam o transporte de pacientes, alimentos e mercadorias. O líder indígena Holikialari Enawêne relata que as dificuldades atingem comunidades inteiras. “Muito difícil. Transporte de pacientes, transportes de emergência, até transporte de merenda escolar também está muito complicado para transportar nessa BR, muito buraco, muito atoleiro”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.
Apesar de reconhecer avanços em relação ao passado, Alcides afirma que ainda há muito a melhorar. De acordo com o produtor rural de Juína, a rodovia já recebeu intervenções, mas não atende à demanda crescente da região. “Ela evoluiu bastante […] mas falta mais, precisamos avançar ainda porque a infraestrutura para nós, para agricultura aqui em Juína, é muito precária”.
Entre os produtores, a pavimentação do trecho até Vilhena é vista como essencial para garantir competitividade e reduzir prejuízos. “A gente sonha com a ligação desse asfalto daqui para Vilhena para dar uma transformada na logística nossa aqui…”, conclui Moacir.
A reportagem do Canal Rural Mato Grosso entrou em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) quanto às obras na BR-174, na região de Juína. No entanto, até o fechamento desta edição, não houve retorno.
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