A ferrugem-asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi é uma das principais e mais preocupantes doenças que acometem a soja. Os danos variam em função da suscetibilidade da cultivar e severidade da doença, no entanto, mesmo com bom manejo, a ocorrência da doença pode causar perdas significativas em soja.
Nesse contexto, a adoção de práticas de manejo, além da aplicação de fungicidas, torna-se essencial no enfrentamento da ferrugem, possibilitando reduzir a pressão da doença em áreas agrícolas. Uma das principais estratégias para isso, é a adoção do vazio sanitário.
Vazio sanitário é o período de ausência de plantas vivas de soja no campo na entressafra. O fungo P. pachyrhizi é considerado biotrófico, e, portanto, só sobrevive e se multiplica em plantas vivas. Logo, o vazio sanitário é uma estratégia que visa reduzir a quantidade de esporos do fungo durante a entressafra em razão da ausência do hospedeiro principal (Godoy et al., 2017).
A quebra do ciclo da ferrugem-asiática pela ausência dos hospedeiros reduz significativamente o desenvolvimento e a sobrevivência do fungo nos períodos entressafra, diminuindo a dispersão de esporos durante a safra da soja. Conforme destacado pelo FRAC-BR, essa é uma estratégia fundamental no combate á ferrugem.
Além de reduzir a incidência da ferrugem-asiática na safra, o vazio sanitário contribui para o atraso nas primeiras ocorrências de ferrugem-asiática na safra, diminuindo a possibilidade de ocorrência da doença nos estádios iniciais do desenvolvimento da soja e, consequentemente, podendo reduzir o número de aplicações de fungicidas necessárias para o controle (Godoy et al., 2017).
No entanto, para efeito de manejo e eficácia na quebra do ciclo da ferrugem e redução da sobrevivência do patógeno, recomenda-se que o vazio sanitário seja realizado com período mínimo de 60 dias, sendo que, a legislação determina que o vazio sanitário deve ter duração mínima de 90 dias, e cabe à Secretaria de Defesa Agropecuária estabelecer, anualmente, os prazos para cada estado (Aiba, 2025).
Os benefícios do vazio sanitário vão além do controle da ferrugem-asiática, contribuindo também para a quebra do ciclo de outras doenças e pragas que têm a soja como hospedeiro principal. Vale destacar que durante o período determinando do vazio sanitário, é proibido o cultivo da soja, e a presença de plantas voluntárias de soja nas áreas de cultivo, logo, na presença de plantas tiguera (voluntárias), medidas de controle devem ser adotadas durante o vazio sanitário.
AIBA. MAPA DIVULGA CALENDÁRIO DE SEMEADURA E VAZIO SANITÁRIO DA SOJA PARA A SAFRA 2025/2026 COM REGIONALIZAÇÃO INÉDITA NA BAHIA. Aiba, 2025. Disponível em: < https://aiba.org.br/mapa-divulga-calendario-de-semeadura-e-vazio-sanitario-da-soja-para-a-safra-2025-2026-com-regionalizacao-inedita-na-bahia/#:~:text=A%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20determina%20que%20o,23%20de%20janeiro%20de%202025.&text=A%20partir%20da%20safra%202025,Maria%20da%20Vit%C3%B3ria%2C%20entre%20outros. >, acesso em: 18/02/2026.
FRAC-BR. VAZIO SANITÁRIO E CALENDARIZAÇÃO: ALIADOS NO CONTROLE DA FERRUGEM. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas – Brasil, s. d. Disponível em: < https://www.frac-br.org/post/vazio-sanitario-e-calendarizacao-aliados-no-controle-da-ferrugem >, acesso em: 18/02/2026.
GODOY, C. V. et al. BOAS PRÁTICAS PARA O ENFRENTAMENTO DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 92, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1074899/1/ComTec92OL.pdf >, acesso em: 18/02/2026.
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