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Chega de diagnósticos sobre o consumo de Feijão — queremos ações


Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

No World Pulses Day, em 10 de fevereiro, o Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe) — que comemora, em português, o Dia Mundial dos Feijões — reuniu entidades em São Paulo, no Transamerica Executive Faria Lima, para assumir um ponto que o Brasil não pode mais tratar como “ruído”: a queda do consumo de Feijão é uma crise real — e crise real pede execução.

O próprio calendário global liderado pela FAO existe para recolocar os pulses no centro das dietas saudáveis e dos sistemas alimentares. O resultado foi a disposição de representantes de inúmeras entidades dos produtores e do setor de arroz, Feijão, supermercados, vegetarianos, academia e imprensa, que formaram um comitê para alinhar esforços.

O que ficou muito claro ali é que o prato feito não é nostalgia: é tecnologia social. Arroz, Feijão, proteína e salada formam um padrão simples de comida de verdade, repetível e acessível. E isso não é opinião solta: os maiores especialistas do mundo reconhecem que arroz e Feijão se complementam nutricionalmente e são base ideal de alimentação adequada e saudável.

O diagnóstico por trás da urgência é direto: quando o Feijão sai da rotina, nunca entra algo melhor. A substituição mais comum empurra o consumo para ultraprocessados — e isso cobra um preço em vidas. Há estimativas de aproximadamente 57 mil mortes prematuras, segundo um estudo da USP, associadas ao consumo de ultraprocessados no Brasil.

Se, no capitalismo, o choque das perdas humanas não for argumento suficiente, há ainda o impacto financeiro — e aqui está a frase que deveria orientar políticas públicas e decisões privadas: está na hora de gastar pesado na prevenção. A International Diabetes Federation coloca o Brasil entre os países com maior gasto total em saúde devido ao diabetes, com US$ 42,9 bilhões. Se o país aceita pagar esses bilhões no tratamento, não faz sentido hesitar no investimento em hábitos que reduzem risco.

Por isso, no encontro, a decisão foi sair do discurso genérico e ir para as duas frentes que mudam hábitos de verdade: escolas e influenciadores. A escola é onde o hábito nasce (ou morre), e o prato feito precisa voltar a ser rotina, não evento. As redes sociais viraram campo real de saúde pública: nutricionistas, médicos, educadores, chefs e criadores precisam ser convocados para sustentar a mensagem simples e correta — Feijão é pilar do prato feito, não coadjuvante.

Entrou na pauta também o ponto que o consumidor repete com razão: “falta praticidade”. Se a barreira é tempo, a resposta não pode ser moralismo; tem que ser solução. Está na hora de trazer para a mesa todas as indústrias capazes de colocar o Feijão pronto que o consumidor mais do que quer — precisa.

Aqui está o alinhamento que precisa ser público e objetivo: Feijão pronto sem conservantes é cesta básica também. Não é “nicho”, não é “gourmet”. É ponte de acesso para manter o prato feito na vida real de quem trabalha, pega trânsito e não tem tempo para o ideal. Se o Feijão pronto fica caro e escondido, vira exceção. Se ganha preço, presença e visibilidade de básico, vira hábito — e hábito vira prevenção.

O World Pulses Day deixou um recado claro: o Ibrafe vai formar uma frente para tratar o Feijão como parte central de uma estratégia nacional de prevenção. Não é contra a indústria, mas a favor da comida de verdade alinhada com a saúde pública. E é a favor do que sempre funcionou no Brasil: prato feito com arroz e Feijão como padrão diário.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


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