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Trecho não pavimentado da BR-174 é motivo de revolta em MT


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O trecho não pavimentado da BR-174, entre Juína (MT) e Vilhena (RO), tem provocado revolta em quem depende da rodovia para trabalhar e se deslocar. São cerca de 230 quilômetros, sendo que a maior parte ainda não é asfaltada.

Buracos, pedras soltas e atoleiros fazem parte da rotina de caminhoneiros e moradores da região Noroeste de Mato Grosso. No período chuvoso, os pontos mais críticos se transformam em lama, aumentando o risco de acidentes e os prejuízos.

Com 30 anos passando pelo trecho, o caminhoneiro Valcir Voltolini afirma que a estrada “estava precisando de uma maquinazinha aqui para dar uma patroladinha” e resume: “Muito buraco”. Segundo ele, estrada ruim significa gasto constante, porque “judia” do caminhão. “Um pneu desse assim custa R$ 2,5 mil. Depende o pneu”, relata ao Patrulheiro Agro. Ao falar dos riscos, alerta: “Passar em cima dessas pedras aí se não desviar vai dar problema”.

O policial penal Isaque Nunes reforça que a cobrança por melhorias é antiga. “Há anos que a gente vem cobrando para que se busque uma solução. A condição é essa aí precária desse jeito”. Ele ainda frisa que “vidas já foram ceifadas aqui”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Prejuízos e risco constante

Durante o período de chuvas, trechos com grande concentração de terra, pedras e buracos se transformam em atoleiros. A situação aumenta o tempo de viagem e deixa motoristas sem estrutura de apoio ao longo do percurso.

O caminhoneiro Leandro Alcântara afirma que a estrada “está cada dia pior” e que o consumo de diesel cresce porque é preciso reduzir a velocidade. Ele relata desgaste frequente de peças e pneus e destaca o risco enfrentado diariamente. “Você entra em uma estrada dessa daqui e você não sabe o que vai ter pela frente”, diz. Sem borracharia no trajeto, quando há quebra, “você tem se virar, esperando socorro”. Para ele, enquanto a chuva é inevitável, “a buraqueira o homem pode resolver”.

No transporte de carga viva, a situação é ainda mais delicada. Paulo Sérgio Alves Martins conta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que ficou atolado por horas aguardando ajuda porque “a estrada estava muito ruim”. Conforme ele, o gado se movimenta e exige atenção redobrada. “Se beiradear tomba”, pontua, explicando que o correto é manter o caminhão no meio da pista e, se necessário, parar para evitar prejuízo maior. Em alguns casos, afirma, “às vezes fica sem comer porque não tem recurso e não tem como tomar banho”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Município cobra solução

Juína, no Noroeste de Mato Grosso, consolida-se como um dos polos econômicos promissores do estado, com base na pecuária, no setor madeireiro, na mineração e na agricultura em sistema de integração.

O prefeito Paulo Augusto Veronese afirma que a prefeitura tem atuado dentro das possibilidades para minimizar os impactos, mesmo a rodovia sendo de responsabilidade federal. “A gente não consegue dar essa manutenção nessa rodovia porque é hoje de responsabilidade do DNIT”, declara ao Canal Rural Mato Grosso.

De acordo com ele, há situações em que o município precisa intervir para evitar transtornos maiores. “Tem algumas situações em que a prefeitura tem que ir lá puxar os caminhões dos morros”, relata. Em determinados momentos, acrescenta que é necessário “levar algum cascalho para conseguir tirar esses caminhões, tampar os buracos que nós temos ali naqueles momentos”.

Veronese ressalta que o município já mantém cerca de 3 mil quilômetros de estradas rurais e que a BR-174 é essencial para Distritos que precisam percorrer “uns 30 a 35 quilômetros na BR para ir até o Distrito”. Ele destaca ainda que “nós temos ambulância que percorre esse percurso” e que, com o início do período escolar, “o maior desafio nosso é o transporte rural por conta do momento chuvoso”.

Apesar da colaboração de produtores com máquinas, o prefeito avalia que “não é suficiente” e reforça que “cada um está ajudando um pouco”, mas que ainda é necessária uma solução mais ampla para garantir segurança e trafegabilidade ao longo da BR-174.

A reportagem do Canal Rural Mato Grosso entrou em contato com o DNIT e com a empresa responsável pelas obras na BR-174, na região de Juína. No entanto, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

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