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Após tarifaço, exportações de frutas seguem firmes e setor busca novos mercados


Foto: Pixabay

A fruticultura brasileira já não demonstra a mesma preocupação com as sobretaxas impostas pelos Estados Unidos. Essa é a percepção de Anderson Jorge Dib, gestor de projetos setoriais da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), ao avaliar os impactos das tarifas no setor quase um ano depois.

O motivo, segundo ele, é bem simples. “Boa parte da manga que os Estados Unidos importa não tem outra opção de fornecedor”, afirma. No momento do anúncio do tarifaço, pequenos produtores viram as mangas encalharem e os preços caírem, uma vez que as frutas começaram a ser redirecionadas ao mercado nacional.

Apesar dos temores, Dib ressalta que a manga foi o principal produto exportado em 2025 pelo setor nacional. Isso porque houve o interesse de empresas dos Estados Unidos em manter as compras do Brasil. “Tanto comprador quanto vendedor acabaram negociando entre si, reduzindo suas margens de lucro, e a manga brasileira continuou sendo exportada”, diz.

As perspectivas foram apresentadas durante o lançamento da Fruit Attraction São Paulo 2026, nesta terça-feira (10), na sede da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. O evento ocorre entre os dias 24 e 26 de março na capital paulista, com expectativa de reunir 18 mil participantes e atingir um faturamento superior a R$ 1 bilhão em negócios.

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Abertura de novos mercados é ponto-chave

Não foi só a manga que alcançou resultados surpreendentes no ano passado. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), os embarques totais atingiram US$ 1,45 bilhão, um aumento de 12% em comparação com 2024. Em volume, o crescimento das exportações foi de 19%.

Mesmo diante dos impactos limitados do tarifaço, a ampliação de mercados é uma das questões mais defendidas pelo setor. “O Brasil é um dos maiores produtores de frutas do mundo, mas apenas o 23º ou 24º maior exportador”, aponta Maurício Macedo, CEO da Fiera Milano Brasil, uma das organizadoras da Fruit Attraction São Paulo.

Na avaliação dele, a feira é uma chance de atrair novos compradores e também de fomentar a participação de pequenos produtores. “O produtor pega um voo do seu estado e participa de uma feira internacional no Brasil. Isso amplia o conhecimento e as oportunidades”, afirma.

Diante disso, a ApexBrasil também reforça a abertura de novos mercados como essencial para o setor seguir evoluindo. Dib lembra que o Brasil já abriu 527 mercados de exportação desde 2023, mas problemas relacionados à logística ainda preocupam.

“Conseguimos abrir o mercado de uva na China, que era uma dificuldade. Agora o desafio é logístico, porque há interesse, mas a logística ainda precisa ser viabilizada”, observa Dib. Nesse sentido, ele esclarece que existe a possibilidade de os primeiros embarques serem feitos por avião.

Perspectivas para a Fruit Attraction

Em 2025, a Fruit Attraction São Paulo recebeu quase 16,4 mil visitantes e 400 marcas expositoras de mais de 60 países. Para a edição deste ano, Macedo aponta o potencial das frutas brasileiras e a adesão de países que querem expor os produtos no país.

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“Vemos cada vez mais novos setores aderirem à feira, como o de logística. Nesse contexto, a feira se posiciona como uma grande plataforma de promoção da fruta brasileira para o mundo”, afirma. Além disso, ele destacou o trabalho das entidades representativas em levar os pequenos produtores a esse tipo de evento.

A expectativa de Dib para o evento marcado para março também é positiva. Segundo o representante da ApexBrasil, o interesse do mercado internacional pelas frutas brasileiras continua forte. “É impressionante a quantidade de visitantes que passam para experimentar frutas brasileiras”, reforça.

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agro.mt

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