Em função do elevado potencial em causar danos tanto quantitativos quanto qualitativos, os percevejos estão entre as principais pragas da soja. Os danos variam em função da espécie, período de ocorrência, densidade populacional e suscetibilidade da cultivar, havendo relatos de espécies em que cada percevejo por reduzir em até 0,21 g dia-1 a produtividade da soja. Além dos danos quantitativos, é consenso que os percevejos são capazes de reduzir a qualidade das sementes de soja, afetando atributos fisiológicos importantes como germinação e vigor.
Nesse contexto, o controle eficiente dos percevejos é determinante para o sucesso da lavoura, sendo crucial adotar boas práticas que possibilitam reduzir os danos causados por eles em soja, bem como controlar de forma efetiva a praga. Dentre essas práticas, destacam-se o monitoramento sistemático das lavouras, a integração de estratégias de manejo, o uso racional de inseticidas e o posicionamento das pulverizações.
O monitoramento é a chave que define a necessidade de controlar percevejos em soja, e deve ocorrer preferencialmente a partir de R1. De maneira geral, há uma tendência de aumento populacional dos percevejos durante o período reprodutivo da soja, no qual, ocorrem os maiores danos em decorrência da praga.
Para fins de manejo, considera-se como período crítico de ocorrência dos percevejos em soja, de R4 a R6 (figura 1). A amostragem deve ser realizada preferencialmente com o pano de batida, de forma regular e representativa. Ao atingir o nível de ação para o controle dos percevejos durante o período crítico, deve-se adotar medidas de controle como a pulverização de inseticidas.
Conforme orientações de manejo, o controle químico dos percevejos em lavouras produtoras de grãos deve ocorrer quanto atingido o nível de 2 percevejos/m, e em lavouras produtoras de sementes ao observar 1 percevejo/m, durante o período crítico (Roggia et al., 2020).
Conforme os princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP), medidas culturais, como o manejo adequado de plantas voluntárias de soja (tigueras), o controle de plantas hospedeiras alternativas e a adoção do vazio sanitário, reduzem a sobrevivência e a multiplicação dos percevejos entre safras. Além disso, a escolha de cultivares adaptadas à região e o escalonamento adequado da semeadura contribuem para minimizar períodos prolongados de exposição da lavoura à praga.
Não menos importante, a tolerância genética também é uma ferramenta a ser explorada. Conforme observado por Neto et al. (2009), os genótipos de soja podem variar quanto a resistência a danos de percevejos. Nesse contexto, o cultivo de genótipos de soja com menor sensibilidade aos percevejos é uma estratégia que contribui para reduzir o impacto da praga na cultura.
Quando o controle químico é necessário, deve-se priorizar o uso racional de inseticidas, com base na rotação de ingredientes ativos e de mecanismos de ação. Essa prática é fundamental para reduzir o risco de resistência, um problema crescente no manejo de percevejos.
Deve-se dar prioridade para o uso de inseticidas de maior performance, adotando boas práticas de tecnologia de aplicação, bem como orientações técnicas para o uso dos inseticidas. Vale destacar que a suscetibilidade a inseticidas pode variar de acordo com a espécie e população do percevejo, podendo também, diferir com base na distribuição geográfica da praga, para uma mesma espécie.
Além de posicionar adequadamente as pulverizações de inseticidas quanto a época de controle e eficiência dos inseticidas, também é crucial atentar para o posicionamento das aplicações quando ao horário de pulverização. Estudos demonstram que o horário de pulverização reflete na eficácia do controle dos percevejos em soja.
Conforme destacado pelo IRAC-BR, a exemplo do percevejo-marrom (Euschistus heros), independentemente do produto utilizado, melhores resultados de controle tem sido observados quando as aplicações dos inseticidas são realizadas durante o início da manhã (sem estresse), quando os percevejos estão mais expostos e as perdas por evaporação e deriva são menores.
Assim, o sucesso no controle de percevejos na cultura da soja depende da adoção integrada de diferentes estratégias de manejo, que, em conjunto, configuram as boas práticas para o manejo dessa praga. Essas estratégias abrangem desde a escolha adequada da cultivar e o planejamento da semeadura até o monitoramento sistemático da lavoura e a correta tomada de decisão quanto ao controle químico, sempre baseada em níveis de ação e nos princípios do Manejo Integrado de Pragas.
IRAC. MANEJO DA RESISTÊNICA DO PERCEVEJO-MARROM A INSETICIDAS. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas Brasil. Disponível em: < https://www.irac-br.org/_files/ugd/6c1e70_23289b96aa09446f8e8a4091352aecaf.pdf >, acesso em: 09/02/2026.
NETO, A. L. F. et al. AVALIAÇÃO DE GENÓTIPOS DE SOJA [Glycine max (L.) Merr.] PARA RESISTÊNCIA AOS PERCEVEJOS PRAGA (HEMIPTERA: PENTATOMIDAE). Congresso Brasileiro De Melhoramento de Plantas, 2009. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/handle/doc/1175550?locale=pt_BR >, acesso em: 09/02/2026.
ROGGIA, S. et al. MANEJO INTEGRADE DE PRAGAS. Embrapa, Sistemas de Produção, n. 17, Tecnologias de Produção de Soja, cap. 9, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 09/02/2026.
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