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‘Se tem alguém que mantém a floresta ‘em pé’ no Brasil é o produtor’, aponta Rasmussen no 1º painel


Foto: Laila Muniz

O primeiro painel da Abertura Nacional da Colheita da Soja, realizada em Porto Nacional (TO), nesta sexta-feira (30), trouxe uma reflexão direta sobre a relação entre produção agrícola e meio ambiente. Com o tema “A jornada de um biólogo no agro”, o palestrante Richard Rasmussen destacou que a conservação da natureza passa, necessariamente, pelo manejo responsável e pela atuação conjunta entre produtores rurais e órgãos ambientais.

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Ao comparar o Brasil com outros países, Rasmussen ressaltou que a realidade do agro brasileiro é marcada por boas práticas agrícolas e sustentabilidade, contrariando a percepção de parte da sociedade urbana.

Ao provocar o público com a pergunta “Por que a gente produz tanta soja?”, o biólogo chamou atenção para o distanciamento da população das cidades em relação à origem dos alimentos e até das roupas consumidas no dia a dia. Segundo ele, a facilidade de acesso aos produtos tornou o processo produtivo invisível, o que gera interpretações equivocadas sobre o papel do agronegócio.

Rasmussen agradeceu à Aprosoja Mato Grosso pela oportunidade de aprendizado e contou que sua trajetória no agro começou a partir do estudo da proteína animal. Foi nesse processo que passou a compreender cadeias como a da pecuária bovina, avicultura, piscicultura e pesca.

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Para o biólogo, bem-estar animal não é discurso para engajamento, mas uma necessidade produtiva. “Uma vaca feliz produz mais leite. Um boi bem manejado engorda mais”, afirmou, ao defender práticas que unem eficiência econômica e responsabilidade ambiental.

Agro e conservação

Ao tratar da conservação da fauna, Rasmussen citou o queixada, espécie ameaçada de extinção, e apresentou dados de estudos realizados no Centro-Oeste, especialmente em Goiás. Segundo ele, a presença do animal demonstra como o agro pode ser aliado da biodiversidade.

De acordo com os levantamentos mencionados, cerca de quatorze por cento da presença do queixada está em áreas de cana-de-açúcar, enquanto aproximadamente sessenta e sete por cento está dentro das propriedades rurais, onde o animal se alimenta e se reproduz.

“Obrigado, agricultores brasileiros”, destacou Rasmussen. Segundo ele, onde há queixada, há também onça-pintada, o que comprova a existência de ecossistemas funcionais dentro das áreas produtivas.

O palestrante reforçou que conservação se faz com manejo, realizado de forma integrada entre produtores e órgãos ambientais. Para Rasmussen, o aumento da população de espécies como o queixada depende diretamente do desenvolvimento equilibrado do agro.

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Brasil como líder em conservação

Ao comparar o Brasil com os dez maiores países do mundo, Rasmussen destacou que o país é líder global em áreas protegidas, somando unidades de conservação e terras indígenas, com cerca de trinta por cento do território preservado. Na sequência aparecem países como Austrália, China e Estados Unidos, todos com percentuais inferiores.

Ele ressaltou ainda que a qualidade da conservação brasileira é um diferencial, especialmente porque quase trinta por cento das áreas preservadas estão dentro das propriedades rurais, resultado direto das exigências do Código Florestal. “Se tem alguém mantendo a floresta em pé no Brasil, são os produtores rurais”, afirmou.

Ao encerrar sua participação, Richard Rasmussen ressaltou que ainda há uma distância significativa entre a realidade do campo e a percepção da população urbana. Segundo ele, iniciativas como o décimo oitavo Circuito Aprosoja, que percorreu vinte e nove municípios com o próprio biólogo como porta-voz, são fundamentais para aproximar a sociedade do agro e mostrar, na prática, as ações de preservação ambiental realizadas pelo setor produtivo, reforçando que informação e diálogo são peças-chave para a conservação aliada à produção.

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