Uma praga antes considerada secundária passou a ocupar o centro das atenções nas lavouras de soja em Mato Grosso. A larva-minadora, inseto que se desenvolve dentro das folhas, tem avançado no dossel das plantas, reduzindo a área de fotossíntese e favorecendo a entrada de doenças fúngicas, com impacto direto no potencial produtivo.
Em Comodoro, no Oeste do estado, o agricultor Paulo Adriano Gai Cervo relata que a presença da praga se intensificou nesta safra. Ele cultivou 2,1 mil hectares de soja no município e observa que o comportamento do inseto mudou em relação a anos anteriores, ampliando o nível de preocupação no campo.
Segundo o produtor, a larva-minadora é originada de uma pequena mosca que ataca diversas culturas comestíveis ao redor do mundo. “Ela deposita os ovos na folha, a larvinha entra no limbo foliar, vai se alimentando desse material e criando galerias dentro das plantas, que posteriormente secam e diminuem a área para fotossíntese”, explica ao Patrulheiro Agro.
Paulo destaca que, tradicionalmente, a praga era encontrada apenas no terço inferior da lavoura de soja, nos baixeiros, mas que neste ano “ela subiu para o terço médio e a gente já encontra ela nos ponteiros”.
Diante do avanço da infestação, a propriedade adotou uma medida inédita. Após avaliação conjunta com técnicos e agrônomos, foi realizada aplicação específica de defensivo agrícola nos talhões mais afetados. “Nós nunca tínhamos feito aplicação para essa praga especificamente, foi a primeira vez”, conta o agricultor ao programa do Canal Rural Mato Grosso.
De acordo com Paulo, a preocupação vai além do dano visual. A formação das galerias antecipa a senescência das folhas, encurtando o ciclo da cultura. “Cada dia de antecipação de ciclo é no mínimo uma saca que a gente está perdendo no potencial produtivo”, afirma.
O engenheiro agrônomo Victor Souza Lima, que atende Paulo e outros produtores da região, explica que a intensificação da larva-minadora já vinha sendo observada desde a safra 2023/24. Ele acompanha um grupo de cerca de 20 agricultores que, juntos, cultivam aproximadamente 15 mil hectares no Vale do Guaporé.
Segundo o agrônomo, as condições climáticas da região favorecem o desenvolvimento da praga. “Nós estamos em uma região muito baixa, quente e úmida, praticamente uma estufa, o que proporciona um ambiente favorável para ela”, pontua. Com isso, a larva-minadora deixou de ser uma praga secundária e passou a causar dano econômico.
Victor explica que a principal consequência é a perda de área foliar, especialmente quando o ataque ultrapassa o baixeiro. “Se ela começa a subir você vai perder essas folhas do terço médio, ali automaticamente é menos eficiência para o enchimento de grão”, ressalta.
Além da perda direta de produtividade, a larva-minadora também preocupa por abrir caminho para doenças fúngicas na soja. As lesões nas folhas facilitam a entrada de patógenos como Cercospora e Mancha-Alvo, problemas recorrentes na região.
Conforme o agrônomo Victor, a associação entre praga e doença tende a agravar os prejuízos no fim do ciclo. “Se a planta perde a capacidade de fazer fotossíntese e carrear nutrientes para o grão, ele vai se formar mais xoxo, sem o peso desejado. É um conjunto de fatores que a gente tem que ter atenção. Se for deixando tomar uma proporção maior lá no final, gera um volume muito grande no final na conta do produtor”, frisa.
Para o agricultor Paulo, o cenário reforça a necessidade de vigilância constante no campo. “Estamos lidando com uma coisa viva, muito dinâmica. É uma indústria a céu aberto e a gente tem que estar sempre atento, procurando se antecipar ao surgimento de pragas e doenças”, conclui.
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