Todos os processos físicos, químicos e biológicos relacionados ao desenvolvimento vegetal utilizam a radiação solar como fonte primária de energia (Taiz et al., 2017). Esta energia chega à superfície terrestre através de ondas eletromagnéticas; quanto menor o comprimento de onda, maior a sua frequência e, consequentemente, maior a energia contida. Nesse contexto, o milho destaca-se por sua elevada eficiência fotossintética. Graças ao seu metabolismo C4, a cultura é capaz de produzir mais biomassa do que outras espécies sob a mesma disponibilidade de radiação.
A relação entre a produtividade e a radiação solar recebida é diretamente proporcional, podendo ser descrita pela equação:
Produtividade = ∑ Radiação interceptada X Eficiência no uso da radiação (EUR) X Índice de colheita (IC).
Aqui, a EUR representa a capacidade da planta em converter a energia luminosa em biomassa, enquanto o IC reflete a eficiência na translocação dessa biomassa para os grãos (Figura 1).
Em cenários de alta luminosidade, a arquitetura da planta torna-se crucial. Plantas com folhas eretas promovem uma distribuição mais homogênea da luz no dossel, permitindo que a radiação alcance o terço inferior. Isso reduz o autossombreamento e aumenta a EUR da comunidade de plantas. Por essa razão, programas de melhoramento genético têm priorizado plantas com arquitetura foliar mais verticalizada.
O manejo do arranjo de plantas é outra estratégia vital para otimizar a absorção solar. No milho, por exemplo, uma densidade de 60 mil plantas/ha pode resultar em baixa EUR por não cobrir totalmente o solo, desperdiçando luz. Já uma densidade próxima a 100 mil plantas/ha tende a maximizar a Radiação Fotossinteticamente Ativa interceptada (RFAi). Contudo, o aumento excessivo da densidade eleva a competição intraespecífica e o sombreamento mútuo, o que pode, eventualmente, reduzir a eficiência individual e a produtividade final (Figura 2).
PILECCO, I. B. et. al. Ecofisiologia do milho visando altas produtividades. Santa Maria, ed. 2, 2024.
TAIZ, L. et al. Fisiologia e Desenvolvimento Vegetal. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. 888 p.
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