É consenso que a palhada na cobertura do solo atua de forma benéfica na preservação e conservação do solo, reduzindo o impacto da gota da chuva e diminuindo as erosões superficiais. Sobretudo, além desses benefícios, a palhada atua de forma significativa no manejo fitossanitário das culturas agrícolas, reduzindo os fluxos de emergência de espécies daninhas fotoblásticas positivas.
As sementes dessas espécies necessitam de luz para germinar, e a palhada na superfície do solo atua como uma barreira física, restringindo a chegada de luz às sementes, diminuindo consequentemente os fluxos de emergência. De forma similar, a palhada reduz a amplitude térmica do solo, possibilitando um melhor desenvolvimento inicial de plântulas, minimizando os danos ocasionados pelo cancro de calor.
Por atuar na redução da temperatura do solo (figura 2), a palhada também reduz a perda de água no solo por evaporação, contribuindo para uma melhor conservação da umidade do solo.
Visando à produção de palhada a partir de culturas comerciais, o milho destaca-se como uma das principais espécies utilizadas nos sistemas de produção agrícola. Essa cultura apresenta elevada capacidade de gerar grande quantidade de palhada residual, além de alta eficiência na absorção de nutrientes do solo, atuando como importante planta recicladora.
Conforme relatado por Lange et al. (2015), o milho pode produzir mais de 14 t ha⁻¹ de palhada. Devido à elevada concentração de carbono (C) em sua matéria seca, essa palhada apresenta alta persistência na superfície do solo, favorecendo a cobertura e a conservação do sistema. Associado a isso, ocorre a liberação gradual de nutrientes para a cultura em sucessão.
Segundo Lange et al. (2015), dependendo das condições climáticas e ambientais, o milho pode acumular até 142 kg ha⁻¹ de potássio (K) ao longo de seu ciclo, nutriente que posteriormente se torna disponível para a soja cultivada em sucessão. Em função da lenta decomposição da palhada, a liberação de K pode coincidir com o período de maior exigência desse nutriente pela soja, contribuindo para um adequado suprimento nutricional e para a obtenção de elevadas produtividades. Além do potássio, nutrientes como cálcio (Ca), enxofre (S) e nitrogênio (N) também são reciclados pelo milho e disponibilizados à cultura sucessora.
Nesse contexto, o milho desempenha papel estratégico nos sistemas de produção de grãos, contribuindo diretamente para a conservação do solo por meio da elevada produção de palhada e, de forma indireta, para o aumento do potencial produtivo das culturas em sucessão. Dessa forma, o milho pode ser considerado uma espécie-chave nos programas de rotação de culturas.
Confira o estudo completo desenvolvimento por Lange e colaboradores (2015) clicando aqui!
IDR – PARANÁ. MANEJO E CONSERVAÇÃO DE SOLOS E ÁGUA: IDR-PARANÁ ORIENTA COMO UTILIZAR TÉCNICA PARA PROTEGER O SOLO DURANTE ESTIAGEM. Instituto do Desenvolvimento Rural do Paraná, 2020. Disponível em: < https://www.idrparana.pr.gov.br/Noticia/IDR-Parana-orienta-como-utilizar-tecnica-para-proteger-o-solo-durante-estiagem >, acesso em: 22/01/2026.
LANGE, A. et al. NUTRIENTES NA PALHADA DE MILHO E EFEITO RESIDUAL NA CULTURA DA SOJA. XXXV CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO SOLO, 2015. Disponível em: < https://eventossolos.org.br/cbcs2015/arearestrita/arquivos/160.pdf >, acesso em: 22/01/2026.
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