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Pesquisa no campo prova que solo arenoso em Mato Grosso pode produzir mais


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produzir em solo arenoso sempre esteve entre os principais desafios da agricultura em Mato Grosso. Em Campo Novo do Parecis, pesquisas realizadas diretamente no campo vêm mostrando que, com manejo adequado, essas áreas podem alcançar estabilidade produtiva e gerar renda ao produtor.

O trabalho é desenvolvido no Centro Tecnológico de Campo Novo do Parecis (CTECNO Parecis), criado pela Aprosoja Mato Grosso, onde há dez anos são conduzidos experimentos voltados à realidade das lavouras, com foco em manejo do solo, fertilidade, formação de palhada, rotação de culturas e sustentabilidade econômica.

Os testes são acompanhados de perto por produtores e técnicos, que comparam diferentes manejos e utilizam as informações observadas em campo para aplicar diretamente em suas propriedades, especialmente em áreas com solos de baixa retenção de água e nutrientes.

Pesquisa aplicada e rentabilidade no campo

Para o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, o diferencial do centro está no equilíbrio entre produtividade, viabilidade econômica e sustentabilidade. “A pesquisa é para rentabilidade e viabilidade econômica, aqui você consegue justamente esse equilíbrio, não cometer exageros de uso de insumos, e nem deixar de usar aquilo que é necessário”, afirmou durante visita técnica em comemoração aos 10 anos de pesquisa no local, realizado no último dia 15.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Segundo ele, os números evoluíram ao longo dos anos, com pesquisas replicadas continuamente para validar resultados. Parte dos erros, conforme explica, acontece de forma proposital. “O erro ocorre aqui dentro muitas vezes é proposital para se obter o resultado que precisa da pesquisa, e o produtor consegue direcionar na lavoura já de forma muito mais rápida e assertiva”, disse.

Os experimentos são conduzidos em solos com teores de argila que variam de 9% a 35%, comuns em diversas regiões produtoras de Mato Grosso. No local, agricultores acompanham os testes, comparam diferentes manejos e utilizam as informações observadas em campo para aplicar diretamente em suas propriedades.

O impacto dessa mudança é sentido por quem vive a realidade do campo. “Nós tínhamos muitas terras abandonadas, terras com pouco investimento, essas terras arenosas ficavam sempre meio de lado, e com a vinda do CTECNO para cá começou a mostrar para o produtor que era viável investir em solos arenosos”, relatou Antônio César Brólio, presidente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis.

Já para o presidente do Sindicato Rural de Diamantino, Altemar Kroling, a participação constante nas atividades do centro tem reflexo direto nas decisões dentro da porteira. “Depois que começamos a participar e ver a pesquisa aqui todo ano, a gente está levando alguma coisa para dentro da propriedade. O produtor tem que procurar caminhos todo ano, um desafio diferente, são novas pragas, novas doenças diferentes que aparecem”, contou ao Canal Rural Mato Grosso.

Manejo, produtividade e sustentabilidade

Em campo, cada estação tecnológica apresenta um conjunto de práticas que, segundo a pesquisa, geram impactos diretos na produtividade e na estabilidade das lavouras, especialmente na cultura da soja.

De acordo com o pesquisador Leandro Zancanaro, o trabalho contínuo mostra que a agricultura, quando bem manejada, melhora o ambiente ao longo do tempo. “Todo ano entregando um solo melhor do que o ano anterior. A agricultura não degrada, ela melhora o ambiente ela melhora o solo”, explicou.

Ele destaca que a diferença de produtividade está diretamente ligada às escolhas agronômicas. “O segredo é como agregar todos esses conhecimentos e acreditar, aplicar e persistir”, salientou. Nos melhores tratamentos, a produtividade chegou a 90 sacas por hectare em anos favoráveis, enquanto em períodos de estiagem ficou em torno de 50 sacas. Já em manejos inadequados, a produção caiu para 25 sacas em anos ruins, mostrando variações de até 30 sacas apenas pela sequência de plantas ao longo do tempo.

Para o agricultor Gilson Provence, os resultados obtidos no CTECNO Parecis ultrapassam as fronteiras do Estado. “A pesquisa em solos arenosos que é feita aqui espelha não só o Mato Grosso, outros estados como Rondônia, como a Bahia e nós também usamos muito a tecnologia aplicada aqui”, pontuou.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Conhecimento que vai além da lavoura

A programação comemorativa dos 10 anos do CTECNO Parecis, realizada no último dia 15 de janeiro, também contou com duas palestras especiais: uma com o produtor rural e ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, e outra com o biólogo Richard Rasmussen. Ao todo, mais de 400 participantes, entre agricultores, técnicos e lideranças políticas, acompanharam o evento.

Cabrera destacou a força do agronegócio brasileiro mesmo diante de um cenário global desafiador. “Em 2025 o agronegócio brasileiro tem 40 tipos de recordes, recordes em produção, recordes em volume, isso é um negócio inacreditável”, afirmou. Para ele, os resultados estão diretamente ligados à ciência e à inovação. “Quanto maior a inovação do agronegócio menor a dependência do clima, porque estamos falando de uma fábrica a céu aberto”, ressaltou.

Já Richard Rasmussen chamou atenção para o papel do centro na redução de riscos ao produtor. “O CTECNO ajuda o produtor a não errar, especialmente em um solo complexo como o arenoso. Aqui é maravilhoso, o que os caras estão fazendo aqui, estão transformando deserto em Oásis”, disse.


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agro.mt

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