Cinco dias após a confirmação de gripe aviária em uma criação de aves de subsistência em Acorizal, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) ampliou a vigilância sanitária na região e passou a monitorar mais de 300 propriedades rurais no entorno do foco.
A força-tarefa envolve 30 servidores e atua em regime de plantão com o objetivo de conter a disseminação do vírus da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), evitando que a doença chegue a outros municípios e, principalmente, às granjas comerciais do Estado.
Dez equipes já percorreram 150 propriedades rurais próximas à área onde o foco foi identificado, observando sinais clínicos da doença em aves domésticas. Outras 175 propriedades devem ser visitadas ainda nesta semana, ampliando o raio de vigilância ativa.
Além das inspeções, as equipes realizam orientação direta aos produtores. “Nesses atendimentos, que denominamos de vigilância ativa, também realizamos a educação sanitária, para orientar o produtor a estar atento aos sinais de mortandade de aves e a nos procurar caso desconfie da presença do vírus da Influenza Aviária nas aves domésticas”, explica o coordenador de Defesa Sanitária Animal do Indea, João Marcelo Néspoli.
No último fim de semana, o local onde o foco foi detectado passou por limpeza e desinfecção, conforme os protocolos oficiais. Ao todo, 164 aves foram sacrificadas sanitariamente e 212 ovos destruídos como medida de erradicação do vírus.
A barreira sanitária instalada na entrada da propriedade já foi desmontada e a área entrou em vazio sanitário por 45 dias, período em que está proibida qualquer criação de aves no local.
Mato Grosso está sob decreto de emergência zoossanitária desde 24 de dezembro, após um primeiro caso registrado em Cuiabá. O caso em Acorizal, confirmado no dia 16 de janeiro, é o segundo foco confirmado em curto intervalo no Estado, com diagnóstico realizado pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP), como destacado anteriormente pelo Canal Rural Mato Grosso.
Segundo o Indea, a maior preocupação está no risco de o vírus atingir granjas comerciais, o que pode gerar impactos diretos à economia. “A ocorrência de gripe aviária em aves domésticas de quintal tem maior risco em criações onde há contato com aves silvestres, principalmente as aquáticas como patos selvagens e paturis. O prejuízo econômico ocorre quando o vírus atinge as granjas comerciais, causando bloqueios nas exportações para outros países e impactos negativos ao setor avícola brasileiro”, comenta João Marcelo.
As ações de controle e erradicação seguem em regime de plantão 24 horas por dia, com equipes treinadas e equipadas, além do apoio da Polícia Militar para controlar o fluxo de pessoas, veículos e equipamentos no perímetro monitorado.
O Indea reforça que o foco envolve apenas aves de subsistência e que, até o momento, a produção comercial de Mato Grosso não foi afetada. Em nota emitida na sexta-feira (16), o órgão também esclareceu que “não há risco à saúde humana pelo consumo de carne de frango ou ovos”.
O Instituto orienta que criadores fiquem atentos a sinais como alta mortalidade repentina de aves, espirros, tosse, dificuldade respiratória, falta de coordenação motora, pescoço torcido, inchaço na face, crista ou barbela, além de apatia, perda de apetite e queda na produção de ovos.
Em caso de suspeita, o Indea deve ser acionado imediatamente pelo telefone 0800 065 3015 ou na unidade mais próxima.
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