O presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Beber, diz que o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul pode impor novas restrições ao agronegócio brasileiro. A negociação, com exigências unilaterais, não estaria considerando regras que existiriam para o produtor brasileiro.
Segundo o empresário, as leis nacionais exigem que o produtor rural mantenha preservação da mata original dentro de sua propriedade. Mas a conservação nos países europeus só é exigida em áreas sem qualidade para produção. As regras diferentes tenderiam a criar restrição comercial, semelhante à moratória da soja.
“Nossa indústria pode ser bastante afetada, principalmente a da pecuária e a leiteira. Não é possível que 90% das empresas sejam proibidas de negociar com esse mercado, sem causar uma restrição ampla como a moratória vinha causando. Na Europa, preservam só onde não dá para produzir, já aqui, mesmo no bioma amazônico, o produtor é obrigado a preservar 80%”, disse.
O acordo entre os países da União Europeia e do Mercosul, bloco do qual o Brasil é integrante, foi assinado no sábado (17) em cerimônia no Paraguai. O objetivo seria criar a maior zona de livre comércio do mundo, com a expectativa de redução de tarifas e ampliação do fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro.
O acordo prevê eliminar tarifa de 77% sobre a exportação de produtos da agropecuária ao longo de até 10 anos. As carnes bovina e de frango terão cotas de exportação com imposto menor. A Aprosoja Mato Grosso aponta para a possibilidade de exigências de negociação de produtos em área de sustentabilidade.
Nos últimos anos, países da Europa tem exigido maior restrição à produção brasileira, principalmente na exploração da Floresta Amazônica, mesmo que a legislação nacional permita o cultivo. A moratória da soja é um exemplo do desacordo e só agora as restrições, quase duas décadas depois, foram consideradas ilegais pela Justiça nacional.
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