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Tarifas dos EUA contra Irã devem pressionar mercado global de ureia, avalia Safras & Mercado – MAIS SOJA


O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma tarifa de 25% sobre o comércio com os EUA para países que mantiverem negócios com o Irã tende a aumentar a pressão sobre o mercado global de ureia. Segundo a analista de Safras & Mercado, Maísa Romanello, o impacto ocorre em um cenário de oferta já limitada.

Segundo ela, o Irã é um ator relevante nesse setor por ser o terceiro maior produtor de gás natural do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Rússia. Além disso, ele figura entre os maiores produtores globais de ureia, com capacidade estimada em 9 milhões de toneladas por ano. O país também fornece matéria-prima para nações vizinhas que igualmente fabricam o insumo.

“Em caso de agravamento do conflito, o Irã deverá enfrentar dificuldades em negociar com outros países e possíveis gargalos logísticos no estreito de Ormuz afetando as exportações de petróleo, gás natural e fertilizantes”, apontou Romanello.

Para o Brasil, o impacto direto em volume é limitado, mas relevante em termos de mercado. Em 2025, o Irã forneceu 184,738 mil toneladas de ureia ao país, o equivalente a 2,4% do total importado. Ainda assim, a analista de Safras & Mercado avalia que o efeito indireto pode ser significativo.

“A tendência é de encarecimento dos preços globais da ureia diante de oferta mundial já limitada e disputa por volumes com a Índia”, disse.

Conforme a analista, no momento a ureia ofertada pelo Irã está cotada em torno de US$ 400 por tonelada FOB, em um contexto no qual o país já vinha enfrentando dificuldades na indústria devido ao racionamento do uso do gás natural, com prioridade para o consumo residencial, o que reduziu a taxa de produção. “O mercado já estava pressionado pelas cotas de exportação da China e por uma geopolítica conturbada envolvendo países como Irã, Rússia e Venezuela”, afirmou.

Nesse cenário, Romanello avalia que as tarifas tendem a reforçar a substituição da ureia pelo sulfato de amônio no mercado brasileiro de fertilizantes. Segundo a analista, a medida também pode afetar as cotações das commodities agrícolas brasileiras exportadas ao Irã, com impacto direto nas relações de troca do agricultor para a compra de insumos.

Atualmente, a ureia ofertada pelo Irã está em torno de US$ 400 por tonelada FOB, em um contexto no qual o país já enfrenta dificuldades industriais decorrentes do racionamento do uso do gás natural, priorizado para o consumo residencial, o que reduziu a taxa de produção.

“O Brasil deve continuar optando pelo sulfato de amônio, fertilizante nitrogenado de menor concentração que tem sido mais viável quanto ao custo por ponto de nitrogênio”, estimou.

Fonte: Agências Safras



 

FONTE

Autor:Ritiele Rodrigues (ritiele.rodrigues@safras.com.br) / Safras News

Site: Agências Safras

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