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Rentabilidade da soja preocupa produtores do oeste de Mato Grosso com queda nos preços e custos altos


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

As colheitadeiras já roncam no oeste de Mato Grosso, mas o clima de otimismo com a produtividade no campo não se reflete nas planilhas financeiras dos agricultores. Embora as áreas precoces em municípios como Campos de Júlio e Sapezal apresentem números satisfatórios de colheita, a conta da safra não fecha. O motivo é uma combinação perigosa para o caixa das propriedades: o preço pago pela soja caiu, enquanto o custo para produzir o grão permanece em patamares elevados.

O descompasso financeiro é reflexo de um ciclo que começou com insumos caros. Muitos produtores travaram seus custos de produção em momentos de alta no mercado e, agora, precisam de muito mais sacas de soja para quitar as mesmas dívidas. O cenário gera apreensão não apenas dentro das fazendas, mas em toda a cadeia de fornecedores e revendas da região.

Segundo Rodrigo Cassol, presidente do Sindicato Rural de Campos de Júlio, a realidade do mercado atual está distante do ponto de equilíbrio necessário para o agricultor. “A soja nossa tinha que estar aqui no nosso município em torno de R$ 130. Hoje estamos falando em R$ 105, R$ 104”, alerta.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Custo por hectare exige alta produtividade

Para conseguir honrar os compromissos e obter alguma margem de lucro, a eficiência produtiva precisa ser quase impecável. Com custos de produção estimados em cerca de R$ 5 mil por hectare, o produtor se vê obrigado a atingir médias de produtividade que fiquem bem acima da média histórica do estado apenas para “pagar o investimento”.

Cassol detalha que a valorização do grão não acompanhou o peso das dívidas contraídas anteriormente. “Um dos maiores problemas foram os investimentos na época e que hoje está se gastando mais sacas para pagar esses investimentos e o preço do grão defasado não está condizente com a realidade. Hoje podemos falar em torno de R$ 5 mil por hectare mais ou menos o custo, teria que colher uma média de 70 sacas para ter uma rentabilidade boa para pagar todos os investimentos e o que tem em dívidas”, explica o presidente do sindicato ao Canal Rural Mato Grosso.

A pressa em tirar o grão do campo também esbarra na necessidade de viabilizar a segunda safra, como forma de tentar diluir os custos fixos da propriedade. No Grupo Bom Jesus, que nesta temporada cultivou 4.226 hectares de soja em Campos de Júlio, o gerente de produção Joelson Francisco da Silva explica que a agilidade operacional é a estratégia para aproveitar a janela climática.

“Estamos colhendo esses quinhentos e pouco, e já estamos dissecando mais 1,2 mil hectares e assim vai indo na sequência. A expectativa é de fazer os dois serviços ao mesmo tempo tirar o produto do campo e já agregar algodão no sistema dentro de uma janela boa. Agora não para mais. É colhendo e plantando”, destaca Joelson.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Gestão e tecnologia para salvar a margem

Diante da pressão econômica, a saída encontrada pelos produtores tem sido o controle rígido de cada centavo gasto na operação. Na Fazenda Agrícola Zanella, que nesta safra semeou 18,3 mil hectares de soja entre Campos de Júlio e Comodoro, a estratégia é usar a telemetria para monitorar o consumo de diesel e a performance das máquinas em tempo real, evitando qualquer desperdício que possa corroer ainda mais a rentabilidade.

Para o engenheiro agrônomo Alfeu Volf Júnior, a margem de erro nesta safra é inexistente. “Não pode errar nesses momentos, são momentos cruciais da lavoura. Se você não tem esse controle você acaba gastando mais do que você realmente planejou, então a gente tem que fazer de tudo para tentar tirar essa soja em tempo hábil para não estragar o grão”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.

O sentimento de insegurança financeira ecoa por todo o setor. Diego Dalmaso, presidente do Sindicato Rural de Sapezal, relata que a angústia é generalizada. “A gente sente uma preocupação por parte dos fornecedores e por parte dos produtores. O preço não está condizente com os custos”, define.


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agro.mt

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