Pela primeira vez, uma mulher indígena passa a ocupar o espaço de especialista em preparo de cafés, levando ao mercado a identidade, a sustentabilidade e os sabores dos robustas amazônicos produzidos na floresta.
Produzidos principalmente no Amazonas, os robustas amazônicos vêm ganhando destaque pela qualidade e pelo impacto positivo na renda da agricultura familiar, em municípios e em territórios indígenas. É nesse contexto que a trajetória de Celeste se destaca, unindo tradição, conhecimento técnico e valorização do território.
De acordo com Celeste Suruí, barista é o profissional especializado no preparo de cafés, responsável por criar receitas, drinks quentes e gelados e explorar as notas sensoriais da bebida.
Para a barista, o café vai além do preparo básico e, em métodos coados, cafés especiais podem apresentar notas de chocolate e caramelo de forma natural, graças às características do grão e ao cuidado em todo o processo.
No território indígena do povo Paiter Suruí, o café é cultivado desde 1983, ano da demarcação da terra. Segundo Celeste, a cafeicultura foi adotada como estratégia de reflorestamento de áreas degradadas por colonizadores, fortalecendo a relação entre produção agrícola e preservação ambiental. “Os cafés que ficaram no território, usamos como a forma de reflorestar essas áreas.”, destaca.
A paixão pelo barismo surgiu em 2019, quando Celeste acompanhou outras jovens indígenas em um curso e percebeu que o trabalho desenvolvido por sua comunidade era pouco conhecido, até mesmo dentro do próprio estado. A partir daí, decidiu se aprofundar na área e assumir o compromisso de dar visibilidade à cafeicultura indígena amazônica.
“Nós trabalhamos com café desde sempre e as pessoas que não que moram no nosso estado, não conhecem o nosso trabalho, imagina de pessoas de outro estado, de outras regiões”, destaca.
Hoje, Celeste Suruí carrega a responsabilidade de ser mulher, indígena e barista em um mercado ainda marcado por desafios. Além de representar seu povo, ela atua em um grande projeto que envolve sete etnias indígenas e reúne cafeicultores que produzem cafés especiais em seus territórios, como Suruí, Aruá, Tupari, Macurap e Kanoé.
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