CTECNO Parecis fortalece a sustentabilidade no campo ao longo de uma década

Ao longo de uma década, o Centro Tecnológico localizado em Campo Novo do Parecis (CTECNO Parecis), iniciativa do Instituto Mato-grossense de Agronegócio (Iagro MT) em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), tem sido um importante aliado dos produtores rurais na construção de uma agricultura cada vez mais sustentável.

Por meio da pesquisa aplicada e da transferência de conhecimento, o CTECNO contribui para a difusão de práticas como o plantio direto, o uso racional de defensivos, a conservação do solo e da água e a rotação de culturas, fortalecendo a produtividade no campo com responsabilidade ambiental.

A pesquisadora do CTECNO Parecis, Daniela Facco, destaca que essa trajetória, construída ao longo dos anos, carrega uma importância significativa para o desenvolvimento da agricultura da região. Segundo ela, ao longo desses dez anos foram testados diversos manejos, que vão desde adubação e correção do solo até sistemas de produção, uso de plantas de cobertura e, principalmente, práticas de manejo voltadas a solos de textura mais frágil, como os solos arenosos.

“Ao longo desses dez anos, observamos que os sistemas mais sustentáveis são aqueles que produzem mais no mesmo espaço, com menor investimento. Esses manejos trazem maior retorno ao produtor e mostram que as boas práticas de conservação do solo, além de aumentar a produtividade e a rentabilidade, reduzem o risco de degradação e garantem a sustentabilidade do sistema produtivo”, salienta a pesquisadora.

O produtor rural do Núcleo de Campo Novo do Parecis, Antenor Utida, explica que a produção sustentável tem grande valor dentro de sua propriedade e participa de forma essencial na tomada de decisões.

“Eu acho que o produtor rural, para ser viável na atividade hoje, precisa ter margem e ser sustentável. Sustentável na questão ambiental, na questão social, mas principalmente na questão econômica. Ele precisa ser sustentável para conseguir permanecer na atividade. Nós estamos colocando isso em prática há várias safras, com base nas pesquisas de campo”, ressalta ele.

Para ele, as pesquisas desenvolvidas nos centros tecnológicos vêm para trazer soluções aos produtores rurais, principalmente em relação as pragas e doenças.

“A pesquisa vem de encontro para as soluções do produtor rural. Sem a pesquisa chegando na frente, inviabiliza qualquer atividade de produção rural. Acho que hoje os principais desafios do campo, tanto na soja quanto no milho, são as pragas e as doenças, especialmente a resistência, algo que o produtor enfrenta em todas as safras”, finaliza ele.

Para o produtor rural do Núcleo de Campo Novo do Parecis, Vagner Herklotz, as pesquisas tornam as tomadas de decisão dentro da lavoura muito mais assertivas. Segundo ele, a pesquisa contribui diretamente para o manejo no campo, já que tudo é feito com atenção aos detalhes, lado a lado com a prática do produtor, de forma organizada, registrada e no tempo certo, o que garante decisões mais seguras e eficientes.

“Antes do CTECNO, um dos grandes desafios, por exemplo, era produzir nas áreas de areia. A maioria dos produtores do Brasil, tem pelo menos um pedaço da fazenda com solo arenoso, e essas áreas praticamente não produziam. Com as pesquisas do CTECNO, começamos a entender como produzir nessas áreas, com planta de cobertura, manejo correto e escolha da variedade certa. O resultado foi uma lavoura mais sustentável e mais produtiva”, explica ele.

Dentre as diversas práticas, Vagner Herklotz destaca o plantio direto e a rotação de culturas, desenvolvidos há anos em sua propriedade. Segundo ele, a adoção dessas práticas tem apresentado resultados excepcionais no manejo da lavoura.

“A rotação de culturas é uma prática que a gente utiliza muito aqui na propriedade e que vem dando muito certo ao longo dos anos. Ela já faz parte do nosso planejamento: sai a soja, entra o milho, depois vêm as plantas de cobertura. O que a gente observa é um aumento constante da produtividade. O controle de pragas não é fácil, mas a rotação ajuda bastante, inclusive no uso dos biológicos. Além disso, a fertilidade do solo se mantém e segue sempre melhorando com a rotação de culturas”, frisa o produtor rural.

Um dos papeis do CTECNO é a difusão de boas práticas agrícolas para os produtores da região, é o que destaca a pesquisadora Daniela Facco.

“Depois da condução de experimentos a campo, avaliação e coleta dos resultados, p conhecimento gerado é levado ao produtor. Isso acontece nos dias de campo, quando eles vêm até o CTECNO Parecis ver, na prática, como as culturas respondem a cada manejo. Esses dados também viram materiais técnicos e são discutidos nas rodadas técnicas nos núcleos da Aprosoja, facilitando o acesso à informação e a aplicação direta desses resultados nas lavouras”, finaliza ela.

Giovanna Fermam

agro.mt

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