A disponibilidade hídrica é um os principais, se não o principal fator limitante da produtividade da soja. Ainda que varie em função da cultivar, estima-se que para expressar bom potencial produtivo, a soja necessite de 450 mm a 800 mm bem distribuídos durante seu ciclo (Neumaier et al., 2020). No Brasil, a limitação hídrica tem um impacto significativo, especialmente no Sul do país, onde as perdas podem chegar a 3.000 kg/ha, representando até 50% do potencial produtivo (Zanuz, 2024).
Como alternativa para mitigar os efeitos do déficit hídrico, a planta ativa mecanismos de adaptação que à auxiliam a enfrentar os períodos de estresse. Dentre os principais mecanismos ativados com esse intuito, destacam-se o fechamento estomático, o enrolamento das folhas, o desenvolvimento de tricomas, a redução da área foliar e o aprofundamento de raízes.
Conforme destacado por Tagliapietra et al. (2022), há uma relação significativa entre produtividade da soja e suprimento de água. Essa relação varia de acordo com o ciclo da cultivar. Com o aumento do GMR, tem-se o aumento da demanda total de água. Estudos conduzidos pela equipe Field Crops demonstram que, os valores de exigência de água para a região Sul do Brasil para cultivares com GMR ≤ 5.5 é de 765mm, para GMR 5.6 a 6.4 é 830mm e para GMR ≥ 6.5 seria 875mm (Figura 2), dessa maneira, pode-se dizer que cultivares de menor ciclo apresentam maior eficiência no uso da água.
Em termos práticos, estima-se que, para cada milimetro de água durante o ciclo, se for aproveitado com a máxima eficiência, é possível produzir aproximadamente 9kg grão (Zanon et. al., 2016). Considerando a relação da disponibilidade hídrica com a produtividade da soja, identificar sinais de resposta ao estresse hídrico é crucial para embasar estratégias de manejo que possam mitigar os efeitos do déficit hídrico na planta, em prol da manutenção do potencial produtivo da cultura.
Ao identificar o déficit hídrico, a planta reduz sua taxa fotossintética, e com isso ocorre a redução da produção de acúmulo de fotoassimilados nos tecidos e órgãos da planta, o que impacta diretamente o crescimento vegetal. Em casos mais severos, quando se atinge o ponto de murcha permanente do solo, a viabilidade da planta fica comprometida, podendo inclusive, causar a morte da planta, mesmo após posterior hidratação.
Em uma tentativa de reduzir a perda de água por transpiração, a planta fecha seus estômatos. Em algumas espécies como a soja, também é possível observar o enrolamento das folhas, em uma tentativa de reduzir a área foliar exposta ao sol. A nível celular, tem-se a redução da capacidade das folhas em assimilar dióxido de carbono, assim como a redução da absorção de nutrientes pelo sistema radicular da planta, afetando como um todo o processo fotossintético, ocorrendo também a redução na fotofosforilação (formação de ATP) e a inibição da atividade enzimática da RUBISCO (Zanon et al., 2018).
Além da deficiência hídrica, fatores como a velocidade do vento e temperatura podem influenciar no estresse hídrico, agravando o problema. A espessura da camada limítrofe (resistência causada pela camada de ar estacionário junto à superfície foliar, por meio da qual o vapor tem de se difundir para alcançar o ar turbulento da atmosfera) interfere diretamente no fluxo transpiratório da folha, sendo assim, a velocidade do vento pode agravar os efeitos do estresse hídrico (Taiz et al., 2017).
Temperaturas acentuadas também podem contribuir para o aumento do estresse hídrico em soja, especialmente quando observadas temperaturas acima da temperatura basal superior da soja , correspondente a 40°C (Bergamaschi & Bergonci, 2017). Considerando cultivos de sequeiro, há poucas alternativas disponíveis para atenuar os efeitos do déficit hídrico, sobretudo, o bom posicionamento de cultivares com base nas orientações presentes no Zoneamento Agrícolas de Risco Climático, contribui para reduzir os efeitos da seca na cultura da soja.
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BERGAMASCHI, H.; BERGONCI, J. I. AS PLANTAS E O CLIMA: PRINCÍPIOS E APLICAÇÕES. Agro Livros, 2017.
NEUMAIER, N. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA. Embrapa Soja, Sistemas de Produção, n. 17, Tecnologias de produção de soja, cap. 2, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 06/01/2026.
TAGLIAPIETRA, E. L. et al. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 2, 2022.
TAIZ, L. et al. FISIOLOGIA E DESENVOLVIMENTO VEGETAL. Porto Alegre, ed. 6, 2017.
ZANON, A. J. et al. CLIMATE AND MANAGEMENT FACTORS INFLUENCE SOYBEAN YIELD POTENCIAL IN A SUBTROPICAL ENVIRONMENT. Agronomy Journal, v. 108, n.4, p. 1447-1454, 2016. Disponivel em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.2134/agronj2015.0535 >, acesso: 06/01/2026.
ZANON, A. J. et al. ECOFISIOLOGICA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 1, 2018.
ZANUZ, J. S. DÉFICIT HÍDRICO: COMO ELE AFETA A SOJA E O QUE PODE SER FEITO. Mais Soja, 2024. Disponível em: < https://maissoja.com.br/deficit-hidrico-como-ele-afeta-a-soja-e-o-que-pode-ser-feito/ >, acesso em: 06/01/2026.
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