A possível saída de grandes empresas da Moratória da Soja ganha um novo capítulo. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e 19 tradings ligadas ao acordo não aparecem mais no site do pacto ambiental. Procurada pela equipe do Canal Rural, entretanto, a entidade não confirmou a informação.
A atualização ocorre em meio ao início da vigência da lei de Mato Grosso, em 1º de janeiro, que autoriza a retirada de incentivos fiscais a empresas signatárias do acordo. Contudo, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e outras dez empresas que comercializam soja seguem listadas na página oficial da moratória.
Segundo informações obtidas pelo Canal Rural, o governo de Mato Grosso prepara um comunicado sobre o assunto, que deve ser divulgado na próxima segunda-feira (5).
Daniel Vargas, especialista em direito ambiental e bioeconomia e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que os efeitos do fim da Moratória da Soja nas exportações brasileiras devem ser limitados. “Na prática, as grandes traders tendem a reorganizar fluxos comerciais, não a abandonar o Brasil”, diz.
As preocupações, porém, se estendem para a imagem do agronegócio do Brasil no exterior, que é alvo constante de críticas e falas protecionistas, especialmente por parte de países europeus. Nesse contexto, questões ambientais estão entre os principais entraves para a conclusão do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.
Na avaliação do especialista, o fim do acordo ambiental encabeçado por Abiove e Anec ocorre em um cenário de “repolitização” do tema. Além disso, ele chama a atenção para a perda de credibilidade das organizações não governamentais. “Na Europa, as ONGs passaram a ser vistas por amplos setores como corresponsáveis por decisões que contribuíram para a crise energética e para o aumento do custo de vida dos europeus”, explica.
Segundo Vargas, o acordo Mercosul-UE poderia preencher essa lacuna, mas a sua indefinição prolonga a incerteza. Enquanto isso, ele reforça que leis passam a oferecer maior previsibilidade. “A tendência dominante é o fortalecimento de uma regra pública, geral e válida para todos, com certificações privadas atuando de forma complementar”, conclui.
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