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Em área ideal para semente, milho verão chega para somar enquanto o mercado guia as decisões


Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A produção de milho em Perdizes, no Alto Paranaíba mineiro, encontra na altitude e no clima condições ideais para o cultivo de sementes. A 1,1 mil metros acima do nível do mar, a região da Lagoa da Capa reúne temperatura amena, clima estável e estrutura irrigada, fatores que sustentam a principal atividade da Fazenda Lagoa da Capa.

Gerente da propriedade, Simonides Aparecido de Almeida explica que a produção é totalmente voltada ao campo de sementes. “A fazenda em si, gira em torno do campo de semente. Nossa principal receita vem dos campos de sementes de produção”, conta. Segundo ele, anualmente são plantados entre 1,1 mil e 1,2 mil hectares nessa modalidade.

A área total irrigada chega a 1.450 hectares, distribuídos em sete pivôs de grande porte. “O número de pivô é pequeno, ela tem sete pivô, mas são pivôs grandes. Tem pivô até de 290 hectares”, detalha Simonides ao projeto Mais Milho.

Manejo mais intenso e produtividade menor

O manejo do milho para semente exige investimentos maiores em comparação ao milho comercial. De acordo com o gerente, a própria característica da planta demanda mais cuidado nutricional. “O campo semente, até por se estar atrás de uma planta, ela tem um sistema radicular um pouco menor, é uma planta mais deficiente se comparado a uma cultura de milho convencional. Então aqui a adubação é maior”, explica.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Mesmo com todo o investimento, a produtividade é bem inferior ao milho destinado à produção de grãos. “Um campo de semente vai girar na casa de umas 60 sacas de milho de 60 quilos. Então em torno de 3,6 mil quilos de grão. É o normal”, afirma à reportagem do Canal Rural Mato Grosso. Simonides ressalta que existe um fator de multiplicação para cálculo do valor final, mas reforça que o volume colhido é naturalmente menor.

Se a área fosse destinada ao milho convencional, o potencial produtivo seria outro. “A meta da região está na casa das 220 sacas”, diz. Ainda assim, o milho verão não era uma prática comum na fazenda, justamente pelo isolamento necessário aos campos de sementes.

Rotação de culturas e mercado pressionado

Nesta safra, porém, o milho verão entrou como alternativa estratégica. “Esse ano a gente trouxe um pouco de milho para o verão, mas mais pensando na rotação de cultura”, relata Simonides. Áreas que estavam produzindo abaixo da média com soja passaram a receber milho consorciado com braquiária, agregando manejo e cobertura ao sistema.

Na região, o milho verão ainda existe, mas de forma limitada. “A nossa região é uma das poucas aqui próximo que você ainda vai ver milho no verão”, afirma. Segundo ele, a maior parte da área é voltada ao hortifrúti, e o milho ocupa algo entre 20 mil e 25 mil hectares.

O grande desafio, no entanto, segue sendo o custo de produção, especialmente após a chegada da cigarrinha. “Hoje um custo nosso de aplicação está em torno de uns R$ 40, só o custo de máquina. Você vai entrar no campo no mínimo umas oito, nove vezes”, relata.

Com a saca sendo comercializada entre R$ 62 e R$ 65, a margem fica ainda mais apertada. Para Simonides, o problema não está restrito ao milho. “Em nenhuma cultura. O HF está complicado, a soja está complicada, o milho está complicado”, afirma. Ele compara os custos: “A soja hoje está na casa de uns R$ 4.500, R$ 4.700 o custo de produção. O milho custa R$ 8.500, R$ 9.000. É o dobro”.

O cenário exige cautela e planejamento. “Para quem trabalha no risco grande, complica. Você aumenta demais a exposição”, conclui o gerente, ao reforçar que, mesmo em uma região altamente produtiva, o mercado segue como principal fator na tomada de decisão do produtor.

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