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entenda como as abelhas contribuem para a saúde do ecossistema

Celebrado em 5 de dezembro, o Dia Mundial do Solo, criado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), reforça a urgência de preservar e recuperar esse recurso fundamental para a produção de alimentos e para o equilíbrio climático.

O que poucas pessoas sabem é que as abelhas também desempenham um papel importante na saúde dos solos e na manutenção da vida no planeta.

Os benefícios dos serviços ecossistêmicos prestados pelas abelhas vão muito além da polinização, ainda que esta, por si só, já seja essencial. Estima-se que cerca de 75% das culturas agrícolas no mundo dependem de polinizadores. Mas o impacto positivo das abelhas também chega ao solo.

“Ao favorecer a diversidade vegetal nas paisagens rurais, as abelhas estimulam o crescimento de diferentes espécies que, por sua vez, contribuem para a cobertura do solo, a fixação de nitrogênio e o aumento da matéria orgânica”, destaca o engenheiro agrônomo e líder executivo da Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.), Rogério Avellar.

Dessa forma, as abelhas colaboram direta ou indiretamente para combater a erosão, descompactar o solo, melhorar a infiltração de água e a ciclagem de nutrientes, fatores essenciais para a regeneração e conservação dos solos.

Segundo a FAO, um terço dos solos do planeta já está degradado, e, se nada for feito, a perda de produtividade agrícola pode chegar a 10% até 2050, devido à erosão. Isso torna ainda mais urgente a proteção dos solos e o reconhecimento de todos os elementos inclusive os menos visíveis, que sustentam sua saúde.

Benefícios diretos

Além dos benefícios indiretos relacionados à polinização e à manutenção da biodiversidade, algumas espécies de abelhas contribuem diretamente para a saúde do solo. É o caso das abelhas solitárias que constroem seus ninhos no chão, cavando túneis e galerias que favorecem processos físicos e biológicos essenciais ao equilíbrio do ecossistema.

Para Avellar, o comportamento das abelhas solitárias de construir ninhos escavando galerias no solo tem um papel ecológico relevante. “Em áreas agrícolas, esses processos naturais funcionam como uma forma de ‘engenharia ecológica’ gratuita, contribuindo para solos mais vivos e produtivos”, afirma.

Algumas escavam diretamente suas galerias, como a abelha-de-óleo (Centris flavifrons) e a mamangava (Epicharis flava). Outras utilizam cavidades já existentes, como as mombucas (Geotrigona spp.), guiruçus (Schwarziana spp.) e jataís-da-terra (Paratrigona spp.), que se instalam em ninhos abandonados de formigas ou cupins.

Há ainda espécies como as mamangavas-de-chão (Bombus spp.), que constroem seus ninhos diretamente sobre a superfície do solo.

Conservar para restaurar

Tanto as abelhas que proporcionam benefícios diretos, com a construção de ninhos no solo, quanto as que oferecem benefícios indiretos, resultantes da polinização, necessitam de cuidados e boas práticas para sua conservação.

A mecanização da agricultura e o uso incorreto de pesticidas estão entre os principais riscos aos polinizadores, grandes aliados na manutenção da saúde e restauração de solos.

“O agricultor é parte da solução. Ao adotar Boas Práticas Agrícolas, como o manejo responsável de defensivos, a manutenção de áreas de vegetação nativa, o plantio de espécies floríferas e o cuidado com fontes de água, ele cria um ambiente favorável às abelhas e demais polinizadores”, defende Avellar.

agro.mt

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