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Densidade Agronômica Ótima (DAO) no milho – MAIS SOJA


Nas últimas décadas, a produtividade de híbridos modernos de milho tem aumentado significativamente, o que é atribuído, principalmente, ao incremento da densidade de plantas (Tollenaar & Lee, 2002; Assefa et al., 2018). A densidade que proporciona a maior produtividade em uma cultura é denominada Densidade Agronômica Ótima (DAO). A DAO é definida em função do ambiente e do nível tecnológico de produção, representando o equilíbrio entre a diminuição da produtividade da planta individual e o aumento da produtividade da comunidade vegetal (Schwalbert et al., 2018).

O valor da DAO para o milho tem apresentado contínuas alterações ao longo do tempo, em grande parte devido ao melhoramento genético e às novas práticas de manejo. Por exemplo, nas décadas de 70, 80 e 90, os valores de DAO eram dee 7,1, 7,9 e 8,5 plantas m-2, respectivamente (Assefa et al., 2018). As modificações estruturais da planta promovidas pelo melhoramento genético, como a perda da capacidade de perfilhamento em híbridos modernos cultivados no Brasil, possibilitaram um aumento na eficiência de produção de grãos, mesmo sob alta densidade. Atualmente, os híbridos compensam as variações na densidade de plantas com adaptações no tamanho e na massa das espigas (Figura 1).

Figura 1. Efeito da densidade de plantas na massa e tamanho da espiga de milho.
Fonte: Equipe Field Crops

Teoricamente, o aumento do número de plantas em um determinado ambiente deveria promover um incremento contínuo de produtividade. Contudo, a limitação de recursos faz com que a interação entre genótipo, ambiente e manejo regule o potencial produtivo. Em um estudo conduzido pela Equipe FieldCrops, híbridos de milho foram testados em ambientes de alta produtividade (AP) e baixa produtividade (BP), ambos sob irrigação

No caso do genótipo superprecoce, observa-se que, no ambiente de AP, a produtividade aumenta à medida que a densidade é elevada, atingindo um máximo entre 100 e 120 plantas ha-1, Por outro lado, no ambiente de BP, não ocorre o mesmo incremento de produtividade (Figura 2). Esta diferença reforça que a produtividade é regulada pela complexa interação entre genótipo, ambiente e manejo.

Figura 2. Relação entre a produtividade de grãos e a densidade de plantas de milho, em função do ambiente de produção (ambiente de alta produtividade, representado pela faixa verde; ambientes de baixa produtividade, representado pela faixa vermelha).
Adaptado de: Friedrich et al. (2022).

Nesse estudo, a DAO para o ambiente de AP foi identificada em 111 mil plantas ha-1, resultando em uma produtividade de 19 t ha-1. Já para o ambiente de BP, a densidade que proporcionou a maior produtividade (9 t ha-1) foi de 60 mil plantas ha-1. Ao analisar a relação entre os componentes de produtividade (número de espigas por área, número de grãos por fileira, número de fileiras e peso de grãos) e a densidade de semeadura, identificou-se que o número de grãos por fileira é o componente mais penalizado quando a densidade é aumentada nos ambientes AP e BP (Friedrich et al., 2022). Isso é explicado pelo alto abortamento de óvulos devido à intensa competição intraespecífica, que é mais acentuada durante o período de floração (Figura 3).

Figura 3. Relação entre a densidade de plantas e demais componentes de produtividade de milho. Grãos por fileira (A), fileiras por espiga (B) e peso de mil grãos (C) em ambientes de alta produtividade (AP) e baixa produtividade (BP).
Adaptado de: Friedrich et al. (2022).
Referências Bibliográficas

ASSEFA, Y. et al. Analysis of Long Term Study Indicates Both Agronomic Optimal Plant Density and Increase Maize Yield per Plant Contributed to Yield Gain. Scientific Reports, v. 8, n. 1, 2018. Disponível em: < https://www.nature.com/articles/s41598-018-23362-x >, acesso: 02/11/2025

FRIEDRICH, E. D. et al. Agronomic optimal plant density for corn in subtropical environments. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 57, 2022. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/pab/a/kmXqLnHPjhknnjf6cpBXdDD/?lang=en >, acesso: 03/11/2025

PILECCO, I. B. et. al. Ecofisiologia do milho visando altas produtividades. Santa Maria, ed. 2, 2024.

TOLLENAAR, M.; LEE, E. A. Yield potential, yield stability and stress tolerance in maize. Field Crops Research, v. 75, n. 2-3, p. 161–169, 2002. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378429002000242 >, acesso: 02/11/2025



 

agro.mt

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