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Pesquisa identifica nova espécie de praga da cana-de-açúcar

Pesquisadores do Instituto de Biociências (IB) da Unesp e PUC-RS descreveram uma nova espécie da chamada “cigarrinha”, nome popular para uma das pragas mais relatadas nas plantações de cana-de-açúcar, atividade agrícola central para a economia do país.

O novo achado científico foi detalhado em artigo publicado no Bulletin of Entomological Research, da Universidade de Cambridge, em outubro deste ano.

Dentre as espécies anteriormente já identificadas como cigarrinha-da-raiz, a Mahanarva fimbriolata e a Mahanarva spectabilis são as mais conhecidas por atacar as plantações de cana-de-açúcar.

Os insetos, de coloração marrom-avermelhada, alimentam-se da seiva da cana e, ao fazê-lo, transmitem toxinas que causam a queima das folhas e a perda de sacarose. A nova espécie recebeu o nome de Mahanarva diakantha.

Além disso, estima-se que a infestação possa causar prejuízos de até 36 toneladas por alqueire.

Docente do IB e um dos autores do artigo, Diogo Cavalcanti Cabral-de-Mello atua há 14 anos em um laboratório do Departamento de Biologia Geral e Aplicada dedicado ao estudo da evolução genômica de insetos.

O trabalho especializado na investigação da diferenciação genômica de insetos fez com que o professor recebesse o contato de empresas agrícolas. No entanto, o principal problema era uma resistência que a cigarrinha demonstrava à ação de defensivos usados habitualmente.

“Alguns produtores estavam enfrentando dificuldades para controlar a praga por meio de defensivos químicos, por isso, pediram nossa ajuda”, diz o docente.

Início do estudo

Uma pesquisadora da unidade da Embrapa em Araras formulou a hipótese de que talvez se tratasse de uma espécie diferente e enviou amostras para serem analisadas por um grupo de pesquisadores da PUC-RS que atua na área de taxonomia de insetos.

A partir dessa suspeita, os grupos de pesquisadores da Unesp e da PUC-RS começaram a trabalhar em conjunto por duas vias: a análise morfológica, feita pelos cientistas Andressa Paladini e Gervásio Silva Carvalho, e a análise genética, conduzida por Mello.

Cada equipe estudou as amostras fornecidas pela empresa e reuniu as evidências que terminaram por confirmar que se tratava de uma nova espécie.

As amostras colhidas junto aos produtores rurais foram comparadas com dados das espécies já catalogadas para identificar semelhanças e diferenças genéticas. Devido a um marcador de DNA presente nas mitocôndrias, o docente da Unesp conseguiu fazer a distinção entre as espécies.

“Em uma das espécies, esse marcador genético apresenta um padrão conhecido que é conservado, com pequenas variações. No caso de espécies diferentes, o marcador sofre variações maiores. Isso nos permite dizer que o indivíduo pertence a uma ou outra espécie”, diz.

Os pesquisadores analisaram mais de 300 indivíduos coletados entre 2012 e 2015 nas usinas de cana-de-açúcar. Diogo Mello ainda completa que para estabelecer a diferenciação entre espécies de insetos, não há um número definido.

“Isso vai depender do grupo em questão. No caso dos mamíferos, já está bem estabelecido. Insetos, porém, são um grupo muito mais diverso e é difícil estabelecer os parâmetros”, finaliza.

Identificação e próximos passos

Nesse sentido, surge a necessidade de uma análise morfológica complementar para que se constatasse que o que estava diante dos olhos dos pesquisadores era, efetivamente, uma espécie diferente.

“Na taxonomia integrativa é importante adotar várias linhas de evidência. Embora a análise genética sozinha não assegure 100% de segurança para a avaliação, a união com outros dados reforça o fato de que se trata de uma nova espécie”, afirma o docente.

Na análise morfológica, Andressa Paladini identificou uma diferença sutil, mas marcante, na genitália dos machos. A nova espécie possui uma parte da genitália bifurcada e pontiaguda, enquanto as outras apresentam um formato quadrangular não bifurcado.

Essa característica inspirou o nome do inseto descoberto: Mahanarva diakantha, termo que significa “dois espinhos”.

A identificação da nova espécie é o primeiro passo para a elaboração de estratégias e produtos de controle adequados.

“Mesmo que as espécies sejam próximas, um produto pode ser eficaz contra uma (praga), mas não contra outra. Aparentemente era isso que estava sendo observado nas usinas”, explica Mello.

*Com informações do Jornal da Unesp/Nathan Sampaio

agro.mt

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