Após rodada no interior, Famato conclui em Cuiabá série de palestras sobre a reforma tributária no agronegócio

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) encerrou, em Cuiabá, a rodada de orientações sobre a reforma tributária após percorrer mais de 20 cidades. O circuito reuniu produtores e contadores para detalhar mudanças em arrendamento, compras de máquinas, cadastro no IBS/CBS (impostos sobre bens e serviços) e a aplicação da alíquota reduzida de 60% para produtos do agro. O evento de encerramento ocorreu na quarta-feira (13), na sede da entidade.

De acordo com José Cristóvão Martins Júnior, analista tributário da Famato, a presença do produtor é decisiva nas escolhas fiscais. “Nem sempre contador ou advogado conhecem as particularidades da fazenda. Sem a visão do campo, o planejamento perde eficiência e aumenta o risco”.

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O conteúdo técnico apresentado tratou do planejamento de contratos de arrendamento para avaliar a alíquota mais vantajosa. Na compra de máquinas e equipamentos, por exemplo, foram explicados os bens desonerados, condicionados a uma lista prevista em regulamento. Com o IBS e a CBS, parte das operações terá recolhimento pelo próprio produtor.

No regime de não cumulatividade, insumos tendem a ficar menos onerosos na entrada. Na saída, será necessário controlar créditos e débitos. A orientação é manter cadastro de fornecedores que aderirem ao IBS/CBS e vender a compradores habilitados, a fim de aplicar corretamente o diferimento (adiamento do imposto).

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O produtor rural e vice-presidente regional da Famato, Anísio Milela Zinqueira Neto, defendeu a participação direta do produtor nas decisões. “Não dá para ignorar o que está acontecendo. Precisamos estar atentos para não continuar pagando pela ineficiência. Mantenho contato constante com meu contador e advogado. No fim do ano passado, ele me alertou para não firmar certos contratos em 2025, considerando o faturamento do ano anterior. Este ano o cenário é outro, e estamos tomando medidas para adequação”, afirmou.

O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, disse que o setor ainda avalia os impactos. “Estamos entendendo como serão as mudanças, mas uma coisa é certa: a carga tende a aumentar. Mudanças tributárias miram arrecadação e preocupam o produtor. Por isso realizamos esta rodada para orientar, inclusive, os contadores”, afirmou. Segundo ele, a série foi elogiada e continuará pelo interior em 2026, com foco em preparação e proteção do patrimônio.

Serviço ao produtor

Ao final do evento, o presidente da Famato afirmou que em 2026 será mantida o clico de palestra pelo interior do estado. As próximas datas serão divulgadas nos canais oficiais da entidade.

agro.mt

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