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Produtores de leite enfrentam crise com altos custos, concorrência externa e falta de incentivo


Em todo o Brasil, produtores de leite vêm enfrentando um cenário desafiador, marcado por altos custos de produção, baixo valor de repasse e crescente concorrência com produtos lácteos importados de países do Mercosul, como Argentina e Paraguai. Esses produtos chegam ao mercado brasileiro com preços mais baixos, o que torna a disputa desleal e dificulta a sustentabilidade da cadeia produtiva nacional.

Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Leite de Mato Grosso (MT Leite), Antônio Carlos Carvalho de Sousa, a situação exige dos produtores estratégias de diversificação e inovação para sobreviver.

“Cerca de 60% do leite que a gente produz temos que converter em queijos, doce de leite, manteiga e enviar para o mercado interno, como Rio de Janeiro, São Paulo e o Nordeste. A gente tem uma concorrência acirrada com o Sul do Brasil, os maiores produtores de lácteos, e por lá também entra a produção via Mercosul”, destaca.

Em entrevista ao Canal Rural MT, Antônio ressaltou que a intensificação das importações de leite e derivados visa baratear o preço ao consumidor final nas prateleiras dos supermercados, mas causa prejuízos expressivos aos produtores locais.

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“A gente tem que produzir, investir em melhoramento genético, melhoramento de pasto, tecnologia para a produção do leite, infraestrutura para deslocamento desse leite até a indústria (…), tudo isso impacta em custos. As intervenções do governo são para colocar a maior quantidade de produto no mercado para empurrar o preço para baixo, com isso você está ajudando o cidadão, mas está prejudicando quem produz”, afirma.

Foto: Maruan Bello

Impactos da guerra e dependência de insumos

Antônio também chamou atenção para outro fator que pressiona a cadeia leiteira: a dependência do Brasil em relação à importação de agroinsumos, especialmente de países como Rússia e Ucrânia. Com a guerra entre as duas nações, a escassez e o encarecimento desses produtos afetaram diretamente a produção agrícola e, consequentemente, a alimentação animal.

“Essa guerra prejudicou muito o agro e os produtores de leite, porque os insumos que vão para o melhoramento de pastagem e na parte nutricional foram impactados significativamente. Com isso, a gente ganha menos e deixa de investir. É importante que o agro seja bem remunerado, para que a gente esteja utilizando essa sobra para poder investir na propriedade, para aumentar a quantidade e qualidade e com isso levar um produto mais saudável ao consumidor”, disse em entrevista ao Estúdio Rural.

Atualmente, Mato Grosso produz cerca de 1 milhão de litros de leite por dia e tem potencial para expandir sua produção. O presidente do MT Leite destaca que o estado reúne condições favoráveis para o crescimento do setor.

“Uma das vantagens de Mato Grosso é que a gente tem espaço e pasto, e uma grande produção agrícola que é a base da nutrição animal, tanto na pecuária de corte quanto de leite. A gente pode dosar uma parte nutricional pelas ofertas que nós temos de produtos agrícolas como milho, soja, algodão e a parte de pastagem e silagem que evoluiu muito e é o que está fazendo com que, mesmo diminuindo o número de produtores, a gente está aumentando a produção.”

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Sucessão familiar e êxodo do campo

Um dos maiores desafios do setor é a falta de sucessão familiar. A saída de jovens do campo em busca de oportunidades nas cidades tem comprometido a continuidade da atividade leiteira, conhecida por exigir dedicação integral.

“Para produzir leite você não tem sábado, domingo ou feriado (…), a natureza na produção de leite as vacas têm que dar leite e não tem uma torneira que você desliga. Então isso faz com que os jovens não queiram ficar na propriedade. O que tem nos ajudado são as inovações tecnológicas, a gente tem a oportunidade por mais pessoas na atividade para estar operando uma ordenha mecânica, introduzindo a mão-de-obra feminina”, explica Antônio.

Além da falta de mão de obra, o setor enfrenta carência de políticas públicas e de incentivos governamentais capazes de garantir a viabilidade econômica dos produtores.

“Se a gente não conseguir uma alternativa de melhorar a produção, a tendência para o futuro é de acabar a produção, ou migrar para outras alternativas.”

Ações do MT Leite em apoio aos produtores

Diante desse cenário, a MT Leite tem atuado para fortalecer o setor e levar as demandas dos produtores ao poder público. A entidade integra a Comissão da Pecuária de Leite da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, presidida pelo deputado Gilberto Cattani, e tem promovido ações de capacitação e troca de conhecimento.

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“A gente está levando conhecimento, através de palestras, discussões, dias de campo para os produtores de leite e para os jovens”, afirma o presidente.

Outra iniciativa de destaque é a parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), por meio do Senar-MT, que oferece assistência técnica e gerencial, além de difundir tecnologias como a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), contribuindo para o melhoramento genético e o aumento da produtividade.

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