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Vendas de soja da Argentina à China geram atrito e podem afetar acordo de US$ 20 bi com os EUA

O presidente da Argentina, Javier Milei, visitará oficialmente os Estados Unidos no dia 14 de outubro, onde será recebido pelo presidente Donald Trump na Casa Branca. O encontro deve consolidar um acordo de swap de US$ 20 bilhões anunciado recentemente pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

No entanto, a operação começou a gerar desconforto em Washington após a Argentina fechar contratos bilionários de venda de soja para a China, um dos principais mercados-alvo dos produtores norte-americanos. Segundo a agência Reuters, republicanos classificaram a medida como contraditória, já que os EUA oferecem apoio financeiro ao governo Milei enquanto Buenos Aires amplia o comércio com Pequim.

Na semana passada, a Associated Press registrou Bessent lendo uma mensagem atribuída à secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, que descrevia a situação como “desafortunada”. O texto criticava a decisão argentina de reduzir tarifas de exportação de grãos e aproveitar para vender soja mais barata aos chineses justamente no período em que os EUA costumam abastecer o mercado asiático.

Taxa zero

Em agosto, o governo Milei suspendeu temporariamente a cobrança do imposto de exportação de soja e derivados, medida que ampliou a competitividade do grão argentino e favoreceu a conquista de grandes contratos com a China. Inicialmente, a isenção seria válida até o fim de outubro, mas o governo decidiu antecipar o retorno da tarifa em setembro, após pressão interna sobre a perda de arrecadação.

Ainda assim, no período de vigência da suspensão, exportadores argentinos fecharam pelo menos dez carregamentos de soja para o mercado chinês, cada um com cerca de 65 mil toneladas, aproveitando a janela de isenção tributária.

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Risco diplomático

A ofensiva comercial pode complicar as negociações entre Milei e Trump. Enquanto os argentinos buscam reforçar os laços financeiros com Washington, o fortalecimento das exportações para a China em um setor estratégico como a soja levanta dúvidas sobre até que ponto Buenos Aires está alinhada aos interesses norte-americanos.

agro.mt

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