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No Dia Internacional do Café, incertezas globais desafiam futuro do setor

O café é quase uma unanimidade por inúmeros motivos. O grão reúne fatores culturais, sociais e sensoriais, além de benefícios à saúde. Consumido por bilhões de pessoas diariamente, é a segunda bebida mais ingerida no mundo, atrás apenas da água.

O Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro, foi criado em 2015 para valorizar essa trajetória e destacar a importância da cadeia produtiva.

No Brasil, maior produtor e exportador, o setor enfrenta desde 2020 uma combinação de desafios, que vão de eventos climáticos extremos a custos mais altos de produção, bem como tensões geopolíticas. Além disso, os repasses de preços no varejo também desafiam o consumo.

Consumo em queda

Diante desse cenário, o café começa a perder espaço na xícara do consumidor. É o que mostra uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), que ouviu 4.200 pessoas de todas as regiões do país. Segundo o levantamento, 24% dos entrevistados afirmaram ter diminuído o consumo, a maior taxa da série histórica.

O principal fator para a retração é o aumento expressivo dos preços. Nos últimos dois anos, o café esteve entre os alimentos que mais pressionaram a inflação brasileira, acumulando alta superior a 70%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compilados pela ABIC.

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Tarifaço e protecionismo

Em vigor desde agosto, as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras estão entre as principais preocupações do setor. Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), reforça que o foco da entidade em garantir a isenção tarifária o mais rápido possível continua.

“Nos EUA, o setor atua de forma decisiva para abrir o diálogo com as contrapartes norte-americanas”, explica.

Além do tarifaço, há o debate sobre a lei antidesmatamento da União Europeia, que proíbe a importação de produtos, como o café, provenientes de áreas desmatadas. Nesse sentido, Matos afirma que a cafeicultura brasileira é carbono negativo, ou seja, sequestra mais do que emite. “O nosso grão é baseado na sustentabilidade social, ambiental e econômica”, diz.

Café: orgulho nacional

Embora os desafios sejam muitos, o brasileiro continua fiel ao café. Segundo Celírio Inácio, diretor-executivo da ABIC, 87% dos consumidores reconhecem o selo de qualidade da entidade. Afinal, a bebida está presente na rotina de 98% dos lares.

“Isso confirma a confiança do público na certificação, mesmo em momentos de crise. Nosso papel é garantir que o café siga presente em todos os lares, mantendo qualidade e segurança alimenta”, ressalta.

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Para Matos, o café representa um legado brasileiro. “Neste Dia Internacional do Café — um produto que é orgulho nacional e que, em 2027, completará 300 anos no Brasil —, reafirmamos o compromisso do Cecafé em promover a sustentabilidade, a competitividade e a eficiência do setor”, conclui.

agro.mt

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