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Agricultores gaúchos pressionam por renegociação das dívidas – MAIS SOJA


Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb13.9290) marcelosa@sna.agr.br

Sucessão de intempéries climáticas castigou estado nos últimos anos

No último dia 20 de setembro comemorou-se o Dia do Gaúcho, que foi inclusive tema de artigo enriquecedor escrito por Evaristo de Miranda https://sna.agr.br/dia-dos-gauchos/ e publicado no Portal SNA. O Rio Grande do Sul ainda sofre, no entanto, com a sequência de intempéries climáticas dos últimos anos, entre as quais as enchentes de abril e maio de 2024, cujo grau de devastação comoveu e mobilizou todos os brasileiros.  Após as reações iniciais, muitos produtores ainda seguem endividados e cobram a renegociação prometida pelo governo após as medidas emergenciais esgotarem seus efeitos.

Neste sentido, o setor recebeu com otimismo, mas também cautela, a resolução 5.247/2025, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no último dia 19, que criou duas linhas de crédito para a renegociação das dívidas de produtores que tiveram perdas em decorrência de eventos climáticos adversos nos últimos anos. A medida tem abrangência nacional, mas era um pleito principalmente do Rio Grande do Sul.

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Essas linhas, no entanto, ainda não estão acessíveis, de acordo com entidades de representação como Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS). A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) também precisa oficializar a transferência dos R$ 12 bilhões, liberados pela Medida Provisória (MP) 1.316/2025 ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Após a aprovação da resolução do CMN, o BNDES ainda precisará atualizar os sistemas internos e divulgar uma circular às instituições financeiras credenciadas, para as quais os recursos serão repassados.

A referida Medida Provisória se encaixa num contexto maior, pois foi editada no dia 5 de setembro como alternativa ao Projeto de Lei 5.122/2023, ao qual o governo se opôs. Para equilibrar as demandas sem afetar o arcabouço orçamentário, a MP valerá para pequenos, médios e grandes produtores que tenham sofrido duas perdas de safra nos últimos cinco anos e estejam em municípios que decretaram situação de calamidade pública duas vezes no período. O programa estenderá o prazo de quitação das dívidas para até nove anos, com um ano de carência.

Morosidade e omissões nos repasses irritam setor

Ciente de que os produtores gaúchos encabeçam a lista dos mais necessitados, o governo preparou uma apresentação das medidas na tradicional feira agropecuária Expointer, realizada no início de setembro, em Esteio. Os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, enfrentaram duros protestos durante suas falas, mesmo destacando os valores destinados ao estado. O governador Eduardo Leite também não foi poupado pelos produtores. As vaias permearam todos os discursos das autoridades.

Na raiz da insatisfação dos gaúchos está a morosidade dos trâmites, pois antes das enchentes de 2024, já havia a pressão por ajuda. Mesmo liberando recursos, o governo não agiliza sua chegada aos produtores, na avaliação de lideranças locais. Com isso, o planejamento de safras fica comprometido, enquanto novos problemas podem ocorrer, reforçando o ciclo vicioso de dívidas, intempéries climáticas e colheitas ruins. O Sul também não possui fundo constitucional, nos moldes de outras regiões. Uma proposta de utilizar essa reserva, oriunda do Centro – Oeste, foi aprovada na Câmara, mas está parada no Senado por resistência do governo, como parte do PL 5.122/2023.

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Segundo levantamento da Farsul, 65 mil produtores rurais gaúchos somam dívidas de R$ 27,4 bilhões junto às principais instituições financeiras que operam crédito rural no Estado (Banco do Brasil, Sicredi e Banrisul).

Produtores de outras partes do país também levaram suas queixas ao Ministro Fávaro, criticando a resolução do CMN por exigir decretação de calamidade pública ou emergência à época das intempéries que castigaram lavouras. O argumento é que muitos municípios tiveram sua produção afetada mesmo sem esses reconhecimentos formais, entre 2020 e 2025, período de abrangência da resolução. Levantamentos regionais projetam que as novas regras de renegociação alcançarão mais de 1.300 cidades. O Ministério da Agricultura vai divulgar a lista detalhada em breve.

Com informações complementares do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Fonte: SNA



 

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FONTE

Autor:Marcelo Sá – Sociedade Nacional de Agricultura

Site: SNA

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