O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul apresentou queda de 2,7% no segundo trimestre de 2025, tanto em relação ao trimestre anterior quanto na comparação com o mesmo período de 2024. Esse resultado se deve, principalmente, à quebra da safra de soja, principal produto agrícola do estado.
Dados divulgados nesta quarta-feira (24) pelo governo do estado, por meio do Departamento de Economia e Estatística (DEE), mostram que, apesar do recuo trimestral, o setor de indústria e serviços sustentam o crescimento em 12 meses. Políticas emergenciais e de reconstrução iniciadas em 2024, como o Plano Rio Grande, fazem parte desse progresso.
A elevação da demanda brasileira e internacional por máquinas e equipamentos fabricados no Rio Grande do Sul se soma às iniciativas ligadas à infraestrutura, comércio e serviços para sustentar a recuperação da economia e apoiar a geração de empregos no estado.
As informações foram fornecidas com a participação do secretário-adjunto, Bruno Silveira, do subsecretário de Planejamento, Alessandro Martins, do diretor do DEE, Tomás Fiori, e dos pesquisadores, Martinho Lazzari e César Conceição, responsáveis pelo levantamento.
Na comparação com o trimestre anterior, a agropecuária caiu 21,4%. Em contrapartida, a indústria cresceu 0,8%, puxada pela indústria de transformação (2,1%), com destaque para a produção de máquinas e equipamentos agrícolas.
Os serviços avançaram 0,3%, sustentados por serviços de informação (0,7%) e outros segmentos (1%). O comércio, porém, recuou 0,9%, registrando a segunda retração consecutiva.
Frente ao segundo trimestre de 2024, o PIB gaúcho também recuou 2,7%, com queda da agropecuária, que encolheu 23,9%. Entre os principais produtos, a soja apresentou redução de 25,2%, enquanto arroz (+20,1%) e milho (+17,3%) tiveram crescimento no período.
A indústria cresceu 4%, liderada pela transformação (7,6%), após a base referente às enchentes de 2024. Os serviços aumentaram 2,4%, com avanços em transportes, armazenagem e correio (4,8%), outros serviços (3,5%) e comércio (2,6%). Em sentido oposto, o setor de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana registrou queda de 16%, influenciado pela menor geração hidrelétrica.
No acumulado de janeiro a junho, o PIB do estado caiu 0,5%. A agropecuária recuou 13,3%, enquanto a indústria cresceu 1,7% e os serviços, 2,5%. Já no acumulado em 12 meses, o PIB do Rio Grande do Sul apresentou alta de 1,7%, resultado sustentado pelo crescimento da indústria (0,3%) e, sobretudo, dos serviços (3,5%).
Já o PIB nacional, segundo o IBGE, registrou crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025 frente ao trimestre anterior e de 2,2% em relação ao mesmo período de 2024.
O pesquisador Martinho Lazzari ressaltou o papel o papel importante da indústria e serviços na sustentação da economia. “Apesar da quebra da safra da soja, cujas perdas se concentraram no segundo trimestre, a economia gaúcha teve crescimento no acumulado em 12 meses, com a indústria e os serviços apresentando desempenho positivo”, detalhou.
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