O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) concluiu, na última semana, uma missão oficial no Reino Unido com a assinatura de um memorando de entendimento voltado a fertilizantes sustentáveis. O acordo, firmado pelo secretário-executivo adjunto, Cleber Soares, e pelo secretário adjunto de Comércio e Relações Internacionais, Marcel Moreira, busca ampliar a cooperação científica entre os dois países.
A parceria prevê iniciativas conjuntas em pesquisa, inovação e boas práticas para otimizar a gestão do nitrogênio, reduzir emissões de gases de efeito estufa e proteger os solos. O objetivo é apresentar resultados concretos já na 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontece em Belém, em novembro deste ano.
O memorando está inserido no contexto da criação do Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CEFENP), lançado em 2025 no âmbito do Plano Nacional de Fertilizantes. O centro tem como foco estimular pesquisa, inovação e a troca de conhecimentos em nutrição de plantas, fortalecendo a segurança alimentar e o uso sustentável de insumos agrícolas.
Durante reunião com o Department for Environment, Food and Rural Affairs (DEFRA), foram discutidos temas como a regionalização da influenza aviária, a habilitação de ovos, lácteos e pescado, além do reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação.
O governo britânico demonstrou disposição em acelerar a análise dos dossiês sanitários, enquanto a delegação brasileira reforçou a solidez de seus controles e defendeu a separação entre aquicultura e pesca extrativa.
A missão que firmou o memorando incluiu ainda compromissos acadêmicos e técnicos. Na Universidade de Oxford, o Brasil apresentou propostas ligadas ao CEFENP e debateu tecnologias de nutrição de plantas, como a produção de amônia verde e processos bioquímicos para ampliar a eficiência no uso de nutrientes.
Já no Rothamsted Research, um dos institutos agrícolas mais antigos do mundo, os representantes conheceram experimentos de longa duração e arquivos históricos sobre solos e plantas, reforçando a relevância de parcerias de longo prazo.
Segundo o Mapa, o Reino Unido é considerado um dos principais parceiros do Brasil na Europa. Em 2024, as importações britânicas de produtos agropecuários brasileiros somaram US$ 1,8 bilhão, com destaque para carnes, produtos florestais, soja e café. No mesmo período, oito novos produtos brasileiros foram habilitados para o mercado britânico, entre eles feno processado, polpa cítrica desidratada, erva-mate processada e fruto seco de macadâmia.
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