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Aplicação conjunta de calcário e fosfato natural gera 12 sacas de soja a mais por hectare


A estação de Jaú do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), no interior de São Paulo, foi palco de recente pesquisa, em parceria com a Massari Fértil, sobre a aplicação de Fosfato Natural Reativo (FNR) em conjunto com calcário em lavouras de soja.

Em comparação ao manejo convencional, o estudo comprovou aumento de até 16,5% na produtividade da oleaginosa, o equivalente a, aproximadamente, 12 sacas a mais por hectare.

De acordo com o engenheiro agrônomo Wellington Eduardo Xavier Guerra, professor doutor em agronomia e pesquisador da Massari Fértil, os experimentos são desenvolvidos desde 2020, em três etapas:

  • Testes de bancada para entender a reatividade do material;
  • Casa de vegetação, com controlados para observar o desenvolvimento das plantas em condições simuladas;
  • Pesquisa de campo, realizada em lavouras reais, validando a eficácia e o potencial produtivo em escala.

“Os dados levantados na cultura da soja em Jaú, interior de São Paulo, confirmam o bom desempenho do Fosfato Natural Reativo quando misturado ao calcário (DGMS), como uma alternativa para o manejo da fertilidade do solo”, afirma o agrônomo.

Quebra de paradigma

Foto: Divulgação

A pesquisa desmistifica algo comum entre os agricultores e que está na literatura, de que a mistura de calcário (fonte de cálcio) e fertilizantes fosfatados levaria a uma formação de compostos menos solúveis e, consequentemente, menos disponíveis para a absorção pelas culturas.

“No contexto de solos tratados com calcário, o cálcio presente no calcário desempenha um papel fundamental nesse processo. Em solos ácidos, o fósforo tende a se fixar com óxidos de ferro e alumínio. A calagem tem como objetivo principal corrigir a acidez do solo, elevando o pH e neutralizando o alumínio tóxico. Isso é benéfico, pois em pHs mais elevados, a disponibilidade do fósforo aumenta, já que a fixação por ferro e alumínio é reduzida”, detalha Guerra.

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No entanto, de acordo com ele, em certos cenários, especialmente quando há uma alta concentração de cálcio livre na solução do solo, o fósforo solúvel pode reagir com o cálcio, formando fosfatos de cálcio de baixa solubilidade, como o fosfato tricálcico.

“Essa reação é a retrogradação do fósforo mediada pelo cálcio, tornando o fósforo menos acessível às plantas. É como se o fósforo ‘voltasse’ a uma forma semelhante à encontrada nas rochas fosfatadas”, exemplifica.

Fertilidade do solo

O pesquisador da Massari conta que a aplicação conjunta de calcário e fosfato natural reativo (FNR) é uma estratégia que busca otimizar a fertilidade do solo, especialmente em condições de acidez. Porém, para entender essa interação, é importante considerar as características de cada produto e como eles agem no solo.

“O calcário é fundamental para corrigir a acidez do solo, elevando o pH e neutralizando o alumínio tóxico. Em solos ácidos, o fósforo (P) tende a ser ‘fixado’ por óxidos de ferro (Fe) e alumínio, tornando-se indisponível para as plantas. Ao elevar o pH, o calcário aumenta a disponibilidade de P. Ao complexar o Fe e Al, o calcário libera o P que estava fixado por esses elementos, tornando-o disponível na solução do solo para a absorção das plantas.”

Segundo ele, a aplicação de calcário com fosfato natural reativo é uma estratégia viável e, em muitos casos, recomendada. “A principal diferença em relação aos fosfatos solúveis é que o FNR é menos suscetível à retrogradação por cálcio. O planejamento e a análise de solo são cruciais para definir a melhor estratégia de aplicação”.

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Para a pesquisa, foi utilizado o FNR Bayóvar, de uma mina localizada no Perú, considerada a maior fonte de fosfato natural reativo do mundo. Os pesquisadores explicam que não há experiências comparativas para generalizar todas as outras fontes, como do Marrocos, Tunísia, Israel, Egito e China.

agro.mt

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