Categories: Business

‘Pode faltar café até a próxima colheita’, avalia especialista

A sobretaxa imposta pelo governo de Donald Trump às exportações brasileiras tem pressionado o mercado de café, que reage com forte volatilidade nos preços. Nos últimos dias, porém, esse cenário começou a mudar, especialmente nos contratos futuros. Em uma semana, as perdas acumuladas já somam quase 3%.

Para Haroldo Bonfá, diretor da Faros Consultoria, as oscilações fazem parte da dinâmica das bolsas internacionais, em Londres e Nova York, influenciadas por fatos e rumores. Ele destaca que, entre 1º e 25 de agosto, as exportações brasileiras de café para os Estados Unidos caíram 47%.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

“O tarifaço americano impacta fortemente a precificação do café. Estamos falando de 7 a 8 milhões de sacas por ano que, teoricamente, seriam destinadas aos EUA e que agora precisam de novos destinos. O mercado busca alternativas, como triangulações via Canadá ou México, que já têm histórico comercial com o Brasil e poderiam, inclusive, receber o café processado antes de chegar ao consumidor americano”, explica Bonfá.

Advertisement

Segundo ele, o aumento de cerca de 50% no preço da matéria-prima tende a refletir nos valores ao consumidor final nos EUA, pressionando a inflação local. No entanto, o consumo em si deve se manter estável. “O café é considerado um produto inelástico: mesmo com variações de preço, a demanda não cai, porque a bebida oferece benefícios tanto à saúde quanto ao bem-estar emocional, o que sustenta o consumo”, acrescenta.

Bonfá orienta os produtores a manterem cautela na comercialização. “É fundamental ter consciência do volume colhido e lembrar que ele deve durar até a próxima safra. Muitos produtores estão capitalizados, o que reduz a necessidade de vendas imediatas. O ideal é usar bom senso: se surgir uma boa oportunidade de preço, realize parte das vendas e garanta rentabilidade. Mas é importante dosar, porque os cálculos indicam que pode faltar café até a próxima colheita.”

Mesmo com a entrada de novas safras do Vietnã, a partir de novembro, e da Colômbia, em dezembro, o especialista acredita que não será suficiente para compensar as perdas brasileiras, especialmente no arábica. “A expectativa da maioria dos analistas é de preços elevados até a próxima safra no Brasil”, conclui Bonfá.

Advertisement
agro.mt

Recent Posts

CPI da Saúde aponta R$ 1,1 bi em despesas indenizatórias e apresenta relatório na ALMT

Deputado Wilson Santos detalha alertas ignorados, contratos com empresas investigadas e convoca secretários de Estado…

26 minutos ago

Sine de Várzea Grande oferece mais de 500 vagas de emprego; 176 são para PCDs

Vagas contemplam auxiliar de produção, motorista de caminhão e setor administrativo; atendimento ocorre no Ganha…

1 hora ago

Alta dos fertilizantes aumenta a importância da eficiência no manejo do solo – MAIS SOJA

Foto de capa: Assessoria O investimento em fertilizantes representa uma parcela relevante dos custos de produção…

1 hora ago

CNA participa de agenda internacional do café na Suíça até sexta-feira

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participa, até sexta-feira (2), de uma…

1 hora ago

Preços de soja têm leve melhora, mas produtor segue ‘fora do jogo’; entenda o que mexeu com o mercado

O mercado brasileiro de soja registrou pequenas altas em algumas praças nesta terça-feira (29), mas…

1 hora ago

Semeadura da soja 26/27 ganha ritmo em MT, mas clima e janela do milho preocupam produtores

O plantio da soja 2026/27 avança em Mato Grosso, mas ainda está atrás do ritmo…

1 hora ago