O fogo voltou a assombrar o Vale do Araguaia. Em Canarana, no leste de Mato Grosso, produtores rurais enfrentam dias de apreensão diante dos incêndios que avançam sobre lavouras, reservas e pastagens, em um cenário de estiagem prolongada e baixa umidade. O prejuízo é milionário, mas a maior perda é imensurável: o risco à principal riqueza da região, o agro.
Desde maio, a chuva não aparece. A vegetação seca e os ventos fortes criam o ambiente perfeito para que o fogo se espalhe rapidamente. O secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Canarana, Gildomar Avrella, resumiu a preocupação ao Patrulheiro Agro desta semana.
“Nós temos muito capim, muita palhada de milho. É combustível pronto para queimar. Precisamos nos antecipar, nos organizar, porque o agro é o pilar da nossa economia. É ele que gera riqueza e sustento para nossa população”, explica.
Para os agricultores, além das lavouras, o que está em jogo é o solo. Cada palmo de terra cultivada foi construído ao longo de décadas, com investimento em fertilidade e manejo. O produtor da região Marcos da Rosa lamenta o risco de ver esse trabalho reduzido a cinzas.
“O fogo pode levar tudo de uma hora para outra. Mesmo quando estamos tentando apagar, o vento espalha de novo. E quando entra numa reserva, os troncos ficam queimando por dias. É preciso estar alerta o tempo todo”, pontua.
Segundo a Secretaria de Agricultura, só entre maio e julho, Canarana registrou 22 ocorrências de incêndios, seis dentro da cidade e 16 em áreas rurais. Muitos dos focos começam às margens das rodovias. O presidente do Sindicato Rural de Canarana, Lino Costa, reforça a necessidade de conscientização da população.
“Uma bituca de cigarro, um vidro deixado no acostamento ou até mesmo o reflexo do sol em objetos jogados na estrada podem causar um incêndio. O prejuízo é imenso. Por isso pedimos mais limpeza nas margens das rodovias e embaixo das redes de energia”, destaca.
A situação levou a Prefeitura a decretar emergência no último 13 de agosto, medida que vale por 120 dias e garante apoio logístico e legal aos produtores. Caminhões-pipa, brigadistas e relatórios técnicos passam a reforçar o combate.
Apesar da gravidade, há sinais de esperança. Dados do Inpe mostram que, entre janeiro e julho deste ano, Mato Grosso registrou 4.555 focos de incêndios, uma queda de 40% em relação a 2024. Ainda assim, em Canarana, onde o agro é mais que economia, é identidade, o alerta segue ligado.
“O fogo não é culpa do produtor. Muitas vezes vem de fora, de cabos de energia ou escapamentos de caminhões. Nosso papel é cuidar, proteger e antecipar ações. Porque cuidar da terra é cuidar de toda a população de Canarana”, conclui o secretário Gildomar Avrella.
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