Categories: Sustentabilidade

Perspectivas climáticas para o período da semeadura do arroz no RS – MAIS SOJA


Por Jossana Ceolin Cera, Consultora Técnica do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA). 
Meteorologista (CREA-RS 244228)

Figura 1. Mapa da precipitação pluvial acumulada (A) e da anomalia da precipitação (B), em mm, no estado do Rio Grande do Sul, durante o mês de julho de 2025, em relação aos valores da Normal Climatológica, relativa ao período 1991-2020. Fonte de dados: INMET.

Após um maio e junho marcados por chuvas expressivas no RS, o mês de julho teve chuvas variando entre 40 e 160 mm, em média. Os menores acumulados ocorreram na Fronteira Oeste e no Extremo Sul, variando de 40 a 80 mm (Figura 1A). As anomalias de precipitação foram negativas na maior parte do Estado e próximas à Normal Climatológica (NC) em parte da Região Central e nas Planícies Costeiras Interna e Externa (Figura 1B).

Durante toda a primeira quinzena de julho não houve registro de chuvas na Metade Sul, o que favoreceu os trabalhos de preparo de solo para a semeadura do arroz, que inicia agora em setembro. No mês, ocorreram basicamente dois episódios de precipitação, em torno dos dias 17 e 27, ambos com baixos volumes acumulados. As temperaturas, em contrapartida, mostraram grande amplitude. Nos dias 1º, 2 e 3 de julho, foram registradas as menores marcas: Bagé e Santa Maria apresentaram mínimas de -3,0°C e -2,0°C, respectivamente. Já por volta do dia 15, houve elevação súbita, com máximas próximas de 30°C na Fronteira Oeste, em Bagé e em Santa Maria (Figura 2). A anomalia mensal da temperatura média do ar foi negativa no Leste, Zona Sul e na Região Central e dentro da média nas demais regiões.

Figura 2. Temperaturas do ar máxima e mínima diária (°C) e suas respectivas Normais Climatológicas (°C) relativas ao período 1991-2020 (nas linhas pontilhadas em vermelho e azul) e precipitação pluvial diária (mm) referentes ao mês de julho de 2025, em seis municípios da Metade Sul do RS, representativos das seis regiões arrozeiras. Fonte de dados: INMET.

Segundo a atualização da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), de 14 de agosto de 2025, o sistema acoplado oceano-atmosfera no Oceano Pacífico tropical refletiu as condições Neutras do ENOS (El Niño-Oscilação Sul). Em julho, a anomalia mensal da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 foi de -0,1°C, dentro da faixa de neutralidade. Já na região Niño 1+2, o valor foi de +0,5°C (Figura 3). A anomalia trimestral, referente a Mai-Jun-Jul/2025, seguiu em -0,1°C, pelo terceiro trimestre consecutivo, também dentro da faixa de Neutralidade.

Figura 3. Anomalia da temperatura (°C) da água da Superfície do Mar no mês de julho de 2025. O retângulo central na imagem mostra a região do Niño3.4, a qual os centros internacionais utilizam para calcular o Índice Niño (que define a ocorrência de eventos de El Niño e La Niña). Já o retângulo menor mostra a região Niño 1+2, que modula a qualidade de distribuição das chuvas, ou seja, sua regularidade de ocorrência no estado do RS. Fonte: Adaptado de CPTEC.

Destaca-se ainda a ampla presença de áreas com anomalias positivas de temperatura da superfície do mar na maior parte dos oceanos globais. Esse cenário merece atenção, pois pode influenciar o clima mundial e interferir nos prognósticos do ENOS, uma vez que tende a mascarar sinais captados pelos modelos de previsão.

Segundo a previsão da NOAA, para o trimestre set-out-nov/2025, a probabilidade de ocorrência de La Niña é de 52%, ligeiramente acima dos 45% de Neutralidade, caracterizando, na prática, um empate técnico. A maior probabilidade para La Niña se projeta para o trimestre seguinte (out-nov-dez/2025), com 59%, contra 49% para Neutralidade. A própria NOAA ressalta que “um breve período de condições de La Niña é favorecido na primavera e início do verão, antes de retornar à neutralidade”. Já o Centro Australiano de meteorologia também aponta que o Pacífico se encontra em neutralidade e deve permanecer assim, pelo menos, até janeiro de 2026. Segundo eles, “isso é consistente com a maioria dos modelos internacionais avaliados, embora alguns indiquem o potencial para níveis limítrofes de La Niña”. Em resumo, o cenário climático para a safra 2025/26 tende a ser bastante similar ao observado na safra 2024/25.

Advertisement

O bolsão de águas subsuperficiais com anomalias negativas voltou a se formar em meados de julho e agosto (Figura 4). Nas últimas semanas, essas águas mais frias emergiram à superfície. Caso a bolha subsuperficial se mantenha, o resfriamento em superfície poderá se prolongar, conferindo características de uma “quase La Niña” nos próximos meses.

Figura 4. Anomalia da temperatura (°C) subsuperficial das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico em relação à profundidade (de 0 a 300 m), entre os meses de maio a agosto de 2025. Pêntadas significam média de cinco dias consecutivos. Fonte: Adaptado de CPC/NCEP/NOAA.

Para este trimestre, o consenso do IRI (International Research Institute for Climate Society) indica chuvas abaixo NC para todo o RS, incluindo a Metade Sul. O modelo CFSv2 (Climate Forecast System), da NOAA, prevê precipitações inferiores à NC em setembro e novembro, e dentro da média climatológica em outubro. Por sua vez, a previsão do modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) indica precipitações acima da NC em setembro, abaixo da NC em outubro, e dentro da média em novembro (Figura 5). A previsão do INMET para setembro — mês que marca o início da semeadura do arroz no estado — gera certa preocupação, pois chuvas frequentes ao longo do mês podem atrasar a implantação da cultura.

Figura 5. Precipitação pluvial total (mm) e anomalia de precipitação (mm) previstas para setembro, outubro e novembro de 2025 no estado do RS. Fonte: adaptado de INMET.

O padrão Neutro do ENOS tende a dificultar os prognósticos climáticos, uma vez que não há uma forçante capaz de direcionar os padrões de chuva em escala global. Como já mencionado, a previsão de chuvas acima da média em setembro gera preocupação quanto ao início da semeadura do arroz no RS. No entanto, caso outubro apresente maiores períodos de tempo seco, é possível que o avanço da semeadura se recupere.

De forma geral, é bastante provável que as condições do Oceano Pacífico nesta safra sejam semelhantes às da safra anterior, o que indica grande chance de ocorrência de períodos de estiagem durante o verão.

Diante desse cenário, recomenda-se o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (7 a 15 dias), como estratégia para melhorar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras.

Fonte: IRGA



 

Advertisement
FONTE

Autor:Instituto Rio Grandense do Arroz

Site: Irga

Advertisement
agro.mt

Recent Posts

Polícia fecha fábrica clandestina de linha chilena e prende dois homens no Rio

Dois homens foram presos e uma fábrica ilegal de produção de linha chilena em Jacarepaguá,…

12 minutos ago

Ama confeitaria? Goiabeiras promove oficina gratuita de mini bolos em Cuiabá

Evento infantil faz parte da programação especial do shopping para o Dia das MãesO Goiabeiras…

48 minutos ago

Governo inaugura Ganha Tempo no Pedra 90 com investimento de R$ 1,5 milhão

Geral Nova unidade na antiga Escola Rafael Rueda reúne Detran, Sine e Politec para facilitar…

1 hora ago

Caminhão com carga da facção é apreendido após apresentar notas fiscais falsas em Lucas

Operações em Lucas do Rio Verde e Nova Mutum desarticulam esquema de “assistencialismo criminoso” usado…

2 horas ago

Hospital Central ultrapassa 17 mil atendimentos em cinco meses de operação

Unidade de alta complexidade em Cuiabá já atende pacientes de mais da metade dos municípios…

3 horas ago

Você pagaria R$ 10 mil em 100g de café? Microlote de alta pontuação é leiloado no Brasil

Foto: Freepik Um microlote de 100 gramas de café arábica da variedade geisha foi comprado…

3 horas ago