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Produção de soja na Amazônia Legal pode triplicar até 2050

Projeções preliminares da matriz origem-destino do Plano Nacional de Logística 2050, divulgadas pelo Ministério dos Transportes, indicam que a produção agrícola na Amazônia Legal terá crescimento até 2050. A soja deve passar de 50 milhões para 95 milhões de toneladas, e o milho de 47 milhões para 133 milhões. Na prática, em 2050, milho e soja poderão representar 38% e 27% da produção da região, o que pressiona a expansão de obras de transporte para escoamento.

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Os números foram apresentados pelo diretor-executivo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Imea), André Ferreira, durante a palestra “Infraestrutura de Transportes na Amazônia e para a Amazônia: Desafios do Plano Nacional de Logística 2050 e das Rotas de Integração Sul-Americana”, realizada no XXI Simpósio Nacional de Auditoria de Obras Públicas (SINAOP), em 19 de agosto, em Manaus (AM).

Em sua apresentação, Ferreira analisou o Planejamento Nacional de Logística (PNL 2050), destacando que, pela primeira vez, o Ministério dos Transportes está elaborando um plano aberto à participação social e comprometido em incluir critérios técnicos e socioambientais desde as etapas iniciais. Apesar do avanço, o PNL 2050 precisará superar desafios observados em planos anteriores, como a “pouca transparência nos critérios de seleção de projetos, a ausência de análise de alternativas e a não consideração dos riscos sociais e ambientais”.

O diretor ressaltou a importância de integrar a expansão projetada da produção na Amazônia Legal a outros planos setoriais, especialmente o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). O PPCDAm estabelece que a bioeconomia é estratégica para manter a floresta em pé e que seu fortalecimento depende de infraestrutura adequada de transporte e de outras áreas. Entre seus objetivos, busca alinhar grandes empreendimentos e projetos de infraestrutura com as metas nacionais de redução do desmatamento.

Ferreira destacou ainda a necessidade de romper a lógica histórica de projetos de infraestrutura que priorizaram apenas o escoamento de commodities agrícolas e minerais para exportação, desconsiderando as necessidades locais. Para ele, é urgente alinhar políticas públicas e incluir no planejamento logístico nacional cadeias produtivas que contribuam para um modelo de desenvolvimento sustentável.

Por fim, Ferreira lembrou que, desde 2007, o Brasil já elaborou quatro planos de logística de longo prazo, que não tiveram a aplicação esperada e foram descontinuados. Segundo ele, é fundamental institucionalizar o planejamento com análises técnicas, critérios socioambientais, participação social e transparência, garantindo que as obras estratégicas do governo tenham origem em projetos consistentes e se mantenham em diferentes gestões.

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