Os produtores de amendoim perdem dinheiro ao não atender as especificações observadas pelos compradores mais exigentes, como o teor de óleo da leguminosa.
Em parceria com a Embrapa Instrumentação (São Carlos, SP), a Fine Instrument Technology (FIT), desenvolveu a tecnologia de Ressonância Magnética Specfit, cujo objetivo é analisar matérias-primas e alimentos processados em torno de um minuto.
De acordo com o CEO da startup, Daniel Consalter, todo o processo se dá de maneira não destrutiva e sem gerar resíduos, além de não utilizar produtos químicos.
Segundo ele, a tecnologia permite que o produtor faça adequações às especificações desejadas pelos compradores. Tudo isso porque a seleção de sementes com alto grau oleico são muito valorizadas pelo mercado, já que além de aumentar a vida de prateleira do produto, possuem propriedades antioxidantes benéficas à saúde.
Esse diferencial vem em um momento em que a ampla oferta da leguminosa tem pressionado os preços:
“A última safra de amendoim colhida em maio deste ano no interior de São Paulo não atendeu as expectativas dos produtores. O preço pago pela saca de 25 kg de amendoim, abaixo de R$ 80, não foi bem recebido. A análise da qualidade do amendoim torna-se, assim, ainda mais relevante”, avalia Consalter.
Conforme ele, sem essa mensuração, o produtor deixa de rentabilizar quando negocia com os parceiros comerciais. “Precisamos gerar uma cultura de análise entre os produtores. Muitos comercializam o produto no escuro.”
Selecionar as melhores sementes e garantir que a nova safra de 2026 tenha grãos com propriedades mais valorizadas, atendendo os teores de óleos totais e da umidade, análises consideradas como referências pelas normas ISO e AOCS, também se encaixam no plano de os produtores brasileiros atenderem melhor as exigências dos compradores internacionais.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), o país caminha para, em curto prazo, se fixar entre os maiores exportadores de amendoim no mundo, rol que conta com Índia, Argentina, Estados Unidos, Sudão e China.
Segundo a entidade, o Brasil é um dos únicos produtores com capacidade para ampliar a área de cultivo, além de possuir clima favorável para essa cultura, tecnologia produtiva e apresentar continuamente melhoras na qualidade dos grãos.
E a projeção ganha lastro nos números: em dez anos, a produção de amendoim no Brasil cresceu 240%, indo de 347 mil toneladas na safra 2014/15 para 1,18 milhão de toneladas em 2024/25. Cerca de 75% desse volume é destinado ao mercado externo.
Para o Consalter, fica claro que o agricultor necessita ter uma ferramenta de análise eficaz, uma vez que a tecnologia tira a subjetividade e baliza as negociações com os compradores.
“O acesso à tecnologia era um dos grandes impasses para o setor. Mas hoje isso já está resolvido através dos equipamentos nacionais acessíveis e dos serviços oferecidos ao mercado. Isso apoiará os produtores a terem maior lucratividade na comercialização e ajuda o amendoim brasileiro a se tornar ainda mais competitivo”, conclui.
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