O mercado global de soja enfrentou mais uma semana de pressão, influenciado pela perspectiva de uma safra robusta nos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 70% das lavouras norte-americanas estão em condições boas ou excelentes, reforçando a expectativa de uma oferta elevada. A confirmação desse cenário motivou forte movimento de venda por parte dos fundos de investimento na Bolsa de Chicago.
Segundo a plataforma Grão Direto, apesar disso, o clima segue no radar. As altas temperaturas no meio-oeste aumentaram a sensibilidade do mercado a atualizações climáticas, mas, até o momento, sem impactos relevantes sobre a produção. A previsão para os próximos 6 a 10 dias continua favorável ao bom desenvolvimento das lavouras, o que reduz a chance de uma reviravolta no curto prazo.
Com esse cenário, os contratos futuros da soja recuaram. O vencimento de agosto/25 encerrou a semana cotado a US$ 9,62 por bushel, queda de 3,7%. Já o contrato de março/26 caiu 3,03%, finalizando em US$ 10,23 por bushel. No câmbio, o dólar fechou em leve baixa de 0,18%, a R$ 5,55.
No Brasil, o movimento em Chicago pressionou o mercado, mas a demanda externa aquecida e os prêmios ainda elevados nos portos deram sustentação aos preços internos. A tendência predominante no mercado físico foi de leves altas, principalmente em regiões com boa logística e acesso ao comércio exterior.
A comercialização da safra 2025/26, por outro lado, avança lentamente. Em Mato Grosso, principal estado produtor, apenas 17,5% da soja futura foi vendida até julho, um ritmo bem abaixo da média dos últimos anos. Essa lentidão é explicada pela combinação de margens mais apertadas e custos elevados, especialmente com fertilizantes como MAP, DAP e ureia, que seguem caros em relação ao ano passado.
O produtor, diante disso, opta por aguardar melhores condições de mercado, principalmente no que diz respeito à relação de troca. A expectativa é que, se os preços de insumos recuarem ou se os preços da soja se recuperarem, haja maior estímulo à comercialização.
Com os fundos pressionando as cotações em Chicago e a safra americana em ritmo promissor, a tendência global permanece baixista para a próxima semana. No entanto, o Brasil ainda encontra sustentação nas exportações e nos prêmios, o que deve continuar protegendo, ao menos parcialmente, os preços no mercado interno.
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