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‘Ficamos surpresos’, diz presidente da Abrafrutas após manga não ter ficado de fora do tarifaço

As frutas brasileiras estão entre os setores que não conseguiram escapar do tarifaço imposto pelo ex-presidente Donald Trump. Produtos como a manga e uva ficaram de fora da lista com quase 700 exceções divulgada pelo governo dos Estados Unidos.

Com isso, regiões produtoras importantes, como o Vale do São Francisco, enfrentam incertezas. Os agricultores iniciam agora em agosto o período de colheita da manga sem saber qual será o destino final da produção.

Para Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), a inclusão da manga na lista de produtos tarifados foi inesperada.

“Ficamos surpresos! Nós não competimos com a manga americana, porque o país não produz essa fruta. Sempre fomos parceiros dos Estados Unidos”, afirmou.

Coelho lembrou que o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, havia declarado que o país não aplicaria tarifas a produtos que não são fabricados internamente, o que reforçou a surpresa com a taxação da manga.

Alternativas

Segundo o presidente da Abrafrutas, ainda não há contêineres parados aguardando liberação para os Estados Unidos, já que a colheita da manga começa na próxima semana.

“Estamos em diálogo com o governo brasileiro, com os exportadores e com os importadores americanos para entender o que poderá acontecer. Eu sou otimista. Acredito que essa decisão foi um descuido, porque não faz sentido taxar uma fruta que os EUA não produzem”, disse.

Além da manga, outras frutas também foram impactadas pelas tarifas, como uva, melancia, melão e mamão.

“É uma pancada na fruticultura. Se essa taxa de 50% for mantida, prejudica toda a cadeia produtiva, do pequeno ao grande produtor. Podemos perder fruta e gerar desemprego”, alerta Coelho.

O dirigente lembra que o tarifaço chega justamente no momento em que os produtores começam a ver retorno sobre os investimentos feitos no início do ciclo. Muitos contraíram empréstimos para financiar o plantio e, agora, iniciariam as exportações.

Diante do cenário, ele defende que o governo federal ofereça algum tipo de apoio aos produtores afetados, caso as tarifas sejam mantidas.

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Coelho também aponta uma possível alternativa para evitar o desperdício da produção. “Se não conseguirmos exportar, podemos redirecionar essas frutas para o mercado interno. Em parceria com prefeituras e governos estaduais, elas poderiam ser usadas na merenda escolar, por exemplo. O importante é evitar que se percam. Nossa maior dor é ver alimento sendo desperdiçado enquanto milhões de pessoas passam fome”, finaliza.

agro.mt

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