O mercado brasileiro de soja teve uma semana de preços entre estabilidade e leves quedas. O ritmo dos negócios seguiu restrito, com a cautela dos negociadores e a diferença entre as bases de compra e venda.
A combinação da baixa do dólar e a desvalorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago pressionou o mercado interno. No entanto, prêmios firmes evitaram uma queda generalizada nas cotações.
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos com vencimento em novembro, os mais negociados, operavam na manhã desta sexta-feira (25) a US$ 10,17 ½ por bushel, acumulando uma desvalorização semanal de 1,76%. Apesar dos avanços nas negociações tarifárias entre Estados Unidos e parceiros comerciais importantes, o clima favorável ao desenvolvimento das lavouras americanas segue pressionando os preços da soja.
Durante a semana, o presidente americano Donald Trump anunciou um acordo comercial com o Japão, estabelecendo tarifa recíproca de 15%. O Japão é um dos maiores consumidores de produtos agrícolas dos EUA. Também houve sinalizações de progresso nas conversas comerciais entre Estados Unidos, União Europeia e China.
As atenções, porém, estão voltadas para o clima. As temperaturas subiram no cinturão produtor americano, acompanhadas de chuvas, favorecendo a evolução das lavouras. A perspectiva é de uma safra cheia, que se soma a um cenário de ampla oferta mundial, reforçando a pressão sobre as cotações.
O armazenamento de grãos no Brasil não acompanha o ritmo da expansão da produção. Essa foi a afirmação de Edenilson Carlos de Oliveira, diretor de Logística e Operações da Coamo Agroindustrial Cooperativa, durante o Congresso Brasileiro de Soja (CBSoja), realizado em Campinas (SP). “No Centro-Oeste, a situação é ainda mais crítica”, lamentou.
Oliveira explicou que a região teve grande crescimento na área plantada e na produtividade nos últimos anos, gerando uma produção gigantesca, mas os investimentos em armazenagem não acompanharam essa evolução.
Segundo ele, a situação é mais delicada em Mato Grosso. “Mato Grosso do Sul tem uma produção mais diversificada, o que ajuda a aliviar o gargalo”, destacou. No Sul do país, os problemas de armazenagem são menores, embora ainda existam distorções entre os estados.
Outro ponto ressaltado foi a forte relação entre a evolução da produção brasileira de soja e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China. “O aumento do PIB chinês reflete diretamente no incremento da produção brasileira”, afirmou o diretor.
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