A soja responde por 74% do óleo vegetal usado na produção de biodiesel no Brasil, o que equivale a 7,2 bilhões de metros cúbicos. Já o milho representa cerca de 21% da produção nacional de etanol, segundo a segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Apesar da relevância desses grãos, o país busca ampliar o uso de fontes renováveis na matriz energética.
A Embrapa Soja, por meio do pesquisador César de Castro, realizou uma análise sobre a viabilidade e eficiência de diversas matérias-primas para o programa de biocombustíveis no país, especialmente para o biodiesel. Essa pesquisa foi apresentada no livro Biodiesel no Brasil: Reflexões Sobre o Potencial das Principais Matérias-Primas, que será lançado durante o X Congresso Brasileiro de Soja e Mercosoja 2025, em Campinas (SP). A publicação gratuita, em formato digital, reúne trabalhos de especialistas da Embrapa e de outras instituições.
Segundo os autores, a transição para fontes renováveis tem impulsionado a pesquisa em cerca de 350 espécies vegetais com potencial para biodiesel, como macaúba, pinhão-manso, nabo forrageiro, colza, girassol, canola e camelina. Apesar disso, a soja ainda domina a produção de óleo vegetal no Brasil, com outras culturas como palma de óleo, algodão e girassol ocupando posições menores no mercado. O algodão e o dendê são apontados como matérias-primas regionais para atender à Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio).
O livro também destaca a importância da soja como cultura-chave na produção de bioenergia, mostrando sua relação direta com cadeias de outros materiais graxos, incluindo gorduras bovina, suína e de frango, além do óleo de fritura. Os autores ressaltam a necessidade de adoção de culturas com alta produtividade e elevado teor de óleo, que atendam aos critérios de baixas emissões de carbono e sejam compatíveis com práticas sustentáveis de manejo do solo.
Por fim, a soja ocupa cerca de 47,5 milhões de hectares no Brasil, seguida pelo milho, que cultiva em aproximadamente 21 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O país é o maior produtor mundial de soja, com expectativa de 169 milhões de toneladas na safra 2024/2025. O milho, que produz quase 116 milhões de toneladas, tem grande potencial de crescimento para o etanol, podendo aumentar sua competitividade em algumas regiões e mercados, segundo o pesquisador César de Castro.
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